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Se a onda não está boa, há que esperar

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O campeonato de surf, que decorre em Peniche, voltou a ser adiado. É sempre assim. Se a onda não está boa, há que esperar, e essa espera pode ser de vários dias. Enquanto a prova não arranca, pode ler aqui sobre os seis surfistas que, feitas as contas, têm mais probabilidades de vencer o campeonato mundial, cuja etapa final se disputa em dezembro, no Havai. O Expresso está em Peniche a acompanhar a 10ª e penúltima etapa do campeonato mundial de surf, que decorre de 20 a 31 de outubro

Helena Bento

Jornalista

Mick Fanning

WSL/Poullenot

Apesar de ter dito que "não fez as contas" (na conferência de imprensa de segunda-feira), a verdade é que o surfista australiano Mick Fanning pode chegar ao título mundial já em Portugal. Mas, para isso, têm de acontecer duas coisas: vencer a prova aqui em Peniche e esperar que Adriano de Souza, o seu rival brasileiro, que nunca esteve tão perto de ser primeiro no campeonato mundial, não consiga passar da terceira ronda. O título, já de si tão importante, chegaria com um gosto especial. Se o vencer, Fanning torna-se o segundo surfista mais vezes sagrado campeão mundial (foi campeão em 2007, 2009 e 2013), atrás, claro está, de Kelly Slater, campeão mundial 11 vezes.

Nascido em 1981 num subúrbio de Sydney, na Austrália, Mick Fanning foi durante muitos anos um surfista muito bom mas de resultados pouco surpreendentes, entretendo-se mais na farra e nos copos do que no mar. A dada altura percebeu que se queria mais, se queria ser o melhor (e ele queria), teria de trabalhar mais. E foi isso que fez. Em 2007, sagrou-se campeão mundial pela primeira vez. Numa entrevista à "Surfing Magazine", depois da grande vitória, Fanning disse que se tornara "extremamente egoísta", e que essa era uma das condições necessárias para se ser campeão mundial. "É lixado", mas é mesmo assim, disse. Apesar dos títulos e do prestígio (são-lhe reconhecidos e elogiados outros atributos, como a força e a rapidez, havendo aqui quem o tenha comparado a um "touro"), Mick Fanning acabou por se tornar mais conhecido este ano (por aqueles que não se interessam por surf), depois de ter sobrevivido ao ataque de um tubarão na África do Sul.

ADRIANO DE SOUZA

WSL/Poullenot

Adriano de Souza, conhecido como "o mineirinho", tornou-se em 2003 o mais jovem campeão mundial na categoria de juniores, tinha então 16 anos. Em 2005, venceu o World Qualification Series (WQS), qualificando-se assim para o principal circuito do surf mundial, o ASP World Surf, onde competem os melhores surfistas do mundo. Desde 2008 que tem estado nos primeiros dez lugares do ranking, mas nunca esteve tão perto do título mundial como este ano.

Em conversa com o Expresso, Júlio Adler, jornalista brasileiro e ex-surfista profissional, que está em Peniche a trabalhar num projeto com o surfista português Tiago Pires ("Saca"), diz que "esta talvez seja a última oportunidade" de Adriano sagrar-se campeão mundial, ou não fosse o surf tão "imprevisível", e que seria "muito importante" para o brasileiro que isso acontecesse. "O Adriano luta pelo título há muitos anos. Vai-se aproximando, vai-se aproximando, mas nunca consegue. De repente, aparece o Medina, que é muito mais novo do que ele, e pumba, leva o título", refere o jornalista, admitindo que gostava de ver Adriano de Souza ser campeão mundial este ano. "Ele tem uma vontade gigantesca, quase absurda. Vencer este campeonato significaria muito para ele", diz.

OWEN WRIGHT

WSL/Poullenot

Com nove anos apenas, Owen Wright já tinha concretizado um dos sonhos de muitos surfistas. Ir de prancha às costas para Uluwatu, um dos locais de Bali mais procurados pelos surfistas. O pai, apanhando-o meio de surpresa, perguntou-lhe um dia (e também ao irmão mais velho, Tim Wright, que se encontrava ali perto) se queria acompanhá-lo numa viagem de trabalho e os dois irmãos aceitaram, sem saber bem ao que iam. O pai, na altura canalizador e apaixonado por surf, queria ensinar os seus filhos a surfar. Fê-lo dessa vez e em muitas outras vezes, e quando nasceram os seus três irmãos (Tyler Wright, uma das duas raparigas, compete atualmente no circuito mundial de surf feminino), o ritual manter-se-ia.

Owen Wright juntou-se à elite mundial do surf em 2010, e em 2011 discutiu o título com Kelly Slater. Atualmente, é terceiro no ranking mundial, o que significa que tem grandes probabilidades de ser campeão mundial.

JULIAN WILSON

WSL/Poullenot

O primeiro triunfo de Julian Wilson entre os melhores surfistas do mundo foi em Portugal, em 2012, quando aqui venceu o Moche Rip Curl Pro, a etapa portuguesa do circuito mundial de surf, batendo o brasileiro Gabriel Medina na final. Dois anos depois, em 2014, voltaria a vencê-lo na final do Billabong Pipeline Masters, no Havai, tendo conseguido entretanto outros bons resultados.

Era Julian Wilson que se encontrava na água com Mick Fanning quando este foi atacado por um tubarão, este ano, na África do Sul. Assim que se apercebeu do que estava a acontecer, Wilson começou a nadar (com rapidez admirável, dizem) em direção ao colega australiano. Fanning safou-se e Wilson foi considerado um herói por ter tentado socorrer o colega.

Gabriel Medina

WSL/Poullenot

A vitória de Gabriel Medina no campeonato mundial do ano passado foi importante não só porque permitiu ao surfista brasileiro igualar Slater como o campeão mundial mais jovem de sempre, mas também por ter sido recebida no Brasil como uma espécie de bóia de salvação. Ao fim de tantos anos sob a hemegonia dos EUA e Austrália, o surf brasileiro podia finalmente começar a respirar de alívio. Num artigo publicado no "Folha de São Paulo", o compatriota Carlos Burle, um dos mais respeitados surfistas de ondas grandes a nível mundial, diz que o sucesso de Gabriel Medina "tem trazido muitos benefícios para o surf brasileiro". "O surf cresceu com a exposição que ele [Medina] está a ter. Não é só mais um desporto da mídia específica, especializada. Agora é da grande mídia, dos patrocinadores, e o surfista é visto como um atleta limpo, transparente, que vende saúde, qualidade de vida e profissionalismo sério", escreve. No artigo, Carlos Burle destaca ainda as qualidades de Medina. Tem "habilidade, talento, boa genética, braços longos. É hábil e inteligente. É um exímio competidor e tem uma boa estrutura familiar".

Gabriel Medina, nascido em 1993 em Maresias (São Paulo), viaja sempre com o padrasto, Charles, que é também seu treinador, e, quando possível, com a mãe, Simone. Embora não seja um dos dois surfistas que disputam verdadeiramente o título este ano, Medina pode ainda, segundo as contas, consegui-lo. Seja como for, ninguém duvida de que dará um grande espetáculo em Supertubos. Em 2015, a revista "Time" considerou-o uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.

FILIPE TOLEDO

WSL/Rowland

Filho de Ricardo Toledo, um ex-competidor do circuito mundial de surf, o nome de Filipe Toledo começou a ser falado quando ele bateu o surfista americano Kolohe Andino e John John Florence (o chamado prodígio havaino, que também compete este ano em Peniche) na final de uma prova importante que acontece todos os anos na Califórnia. 18 meses depois, começava a competir com a elite mundial do surf, terminando na 15ª posição do ranking mundial em 2013.

Ele e outros surfistas brasileiros, também jovens (Filipe Toledo tem 20 anos), fazem parte da chamada "Brazilian Storm" (tempestade brasileira), a nova geração de surfistas brasileiros que se têm afirmado no panorama do surf mundial. Em 2014, a "Surfer Magazine" considerou Filipe Toledo "o melhor surfista do planeta" com 20 ou menos anos. Chega a Portugal posicionado em 6º lugar.

  • Os melhores surfistas do mundo estão entre nós

    Esta terça-feira arrancou em Peniche a 10ª e penúltima etapa do campeonato mundial de surf. As expectativas estão bem lá no alto: Mike Fanning, o surfista que foi atacado este ano por um tubarão na África do Sul, pode vencer o título mundial já em Portugal, e há três surfistas portugueses em prova