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Gaitán tem a mania. Mas não faz tudo

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TOLGA BOZOGLU/ EPA

Benfica entrou a ganhar na Turquia, mas perdeu com o Galatasaray, por 2-1, numa semana em que há dérbi com o Sporting

Vous continuerez longtemps à peindre ?
– Oui, parce que pour moi, c’est une manie.

A exposição Picasso.Mania, inaugurada este mês no Grand Palais de Paris, começa com uma resposta curiosa do pintor espanhol numa entrevista de 1959. Para Picasso, pintar era uma "mania", que é como quem diz (ou melhor, diz o dicionário da Priberam) uma loucura, um entusiasmo e uma paixão.

Ou seja, os mesmos sentimentos que outro tipo de artista, Nico Gaitán, mostra sempre que pega na bola. E os mesmos que desperta em quem gosta de futebol. O meu colega Pedro Candeias já o tinha escrito na crónica do jogo com o Atlético de Madrid e hoje é a minha vez: Gaitán é fantástico e é muito do jogo do Benfica, o que é bom, porque ele é ótimo, mas é mau, porque ele é só um.

E foi só um que sacou da cartola o primeiro golo do Benfica, logo a abrir o jogo. Jonas foi sagaz a cobrar um livre rapidamente, mas foi Gaitán a resolver tudo na área: fintou um defesa e picou a bola por cima de Muslera com extrema subtileza.

A obra de arte merecia mais respeito nos minutos que lhe sucederam. Ao contrário do seria expectável, o Benfica foi deixando o Galatasaray pegar no jogo e dois disparates deram numa reviravolta: André Almeida meteu a mão na bola na área, permitindo a Selçuk Inan marcar de penálti, aos 19 minutos; e Eliseu estava longe, longe, longe de Jardel quando o central Chedjou lançou uma bola longa para Podolski, que se livrou de Jardel e fez o 2-1, de trivela, entre as pernas de Júlio César.

Na 2ª parte, foi sempre o Benfica a ser mais perigoso, mas falhou sempre qualquer coisa. A criatividade no meio-campo, com Samaris e André Almeida, é reduzida; Sílvio não dá a profundidade atacante de Semedo; Jonas esteve mais apagado do que é habitual; Jiménez não tem o instinto matador de Mitroglou. E Gaitán não faz tudo sozinho. Nem hoje, nem domingo, dia de dérbi na Luz contra o Sporting - que o Benfica não perde desde 2006, na era de Koeman. Curiosamente, numa época em que também brilhou na Champions, com vitórias sobre o Manchester United e Liverpool, que deram para atingir os quartos de final. O pior foi o campeonato: 3º lugar. Os artistas não dão para tudo.