Siga-nos

Perfil

Expresso

Desporto

O admirável homem das Neves

  • 333

O capitão do FCP Rúben Neves disputando a bola com Dor Peretz do Maccabi de Telavive

FERNANDO VELUDO / LUSA

Num jogo morno do FC Porto e com final anunciado (triunfo por 2-0 ao Maccabi Telavive), o destaque vai para Rúben Neves, o miúdo que se fez homem e se tornou o mais jovem capitão de sempre na história da Liga dos Campeões: 18 anos, 7 meses e 7 dias. Portistas lideram isolados o grupo E

Agora que o jogo acabou, estou à espera de perceber o que é que Lopetegui quis dizer sobre o Maccabi Telavive. Porque o que ele disse sobre o clube de Israel, que era uma equipa boa com bons jogadores e que jogava bem, é o que normalmente se diz sobre uma equipa que é boa, tem bons jogadores e que joga bem à bola. O Maccabi não tem nem é uma coisa, nem outra. O Maccabi não só é uma equipa mazinha, como tem jogadores apenas medianos (vá, Zahavi está um bocadinho acima da média) e joga mal. Sobretudo, defende mal.

E, se Lopetegui pensasse o que diz, ele, que é cauteloso e contido, não teria posto a jogar dois extremos (Corona e Brahimi), um avançado (Aboubakar) e três médios (Rúben Neves, Imbula e André André) de início. Não, senhor, se o Maccabi fosse realmente uma boa equipa com bons jogadores e que joga bem, Lopetegui teria feito o que fez nos outros dois jogos da Champions e nos encontros em que o adversário é, enfim, complicado: quatro médios, com um deles a cumprir dois papéis: André André.

Foi assim, mais exposto, com Rúben Neves a fazer de capitão e de líder, dois centrais canhotos (Indi e Marcano) e um lateral-esquerdo destro (Layún) que o FC Porto entrou em campo à procura da 20.ª vitória consecutiva em casa. Mas, como sempre nesta época, o FC Porto entrou mal.

Deu a impressão que estava a ler um livro na diagonal, a passar por cima de linhas, a parar para um cimbalino e uma espreitadela no telemóvel, porque toda a gente - repito, toda a gente - sabia como acabava. De cor e salteado.

Lopetegui percebeu que a escrita não estava em dia e pôs Danilo a aquecer junto à lateral, como que a dizer a quem tinha a cartilha na mão que aquilo que lá estava era para ser levado à letra: controlar o meio-campo. Depois, faltava resolver o problema lá à frente, porque Coronoa e Brahimi engonhavam no argumento - e, então, Lopetegui pôs Tello a aquecer, para espevitar o mexicano e o argelino.

Foi então que apareceu o golo de Aboubakar (não marcava desde setembro, com o Dínamo de Kiev) e logo a seguir o de Brahimi: bastou acelerar e aproveitar o buraco entre o guarda-redes e a defesa do Maccabi para pôr um ponto final parágrafo no primeiro capítulo. Danilo e Tello cumpriram o seu papel, espicaçaram quem lá estava no relvado, voltaram a sentar-se no banco e prepararam-se para entrar no segundo tempo.

Devagar, devagarinho

Na segunda-parte, o FC Porto limitou-se à autogestão, a olhar para o relógio: Brahimi e os floreados inúteis, que deixam Lopetegui fulo; alguns erros defensivos de Indi, de quem tem mais com que se preocupar, e pouca agressividade de Imbula, de quem tem mais do que fazer. Não lhes podemos levar a mal: a diferença entre uma equipa e outra existe, é real, e há sete pontos e um registo incomparável entre elas. O FC Porto, com maior ou menor intensidade, ia somar a segunda vitória na Champions desta época, a 20.ª consecutiva em casa - e que lhe valeu a liderança isolada do Grupo, porque o Chelsea empatou em Kiev. Para a história desta história, fica três números históricos: 18 anos, sete meses e sete dias, a idade de Rúben Neves, o mais jovem capitão de sempre da Liga dos Campeões.