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Benfica processa Jesus em €14 milhões. “Não há memória de uma traição desta dimensão”

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JOSÉ COELHO / Lusa

Clube chegou ao montante da indemnização pedida calculando “um euro por cada adepto ou simpatizante”. No entanto, para os encarnados os danos causados pelo antigo treinador “não têm limite”

A novela que Jorge Jesus e o Benfica têm protagonizado desde que o treinador iniciou funções no Sporting está longe do fim. Isto porque no mais recente episódio, o Benfica, conforme revela esta quinta-feira a revista “Sábado”, abriu esta terça-feira uma ação judicial contra o seu antigo técnico de futebol, em que exige receber um valor “simbólico” de 14 milhões de euros por danos não patrimoniais.

A ação é clara: se Jorge Jesus merece hoje o “destaque desportivo” e o “valor” de mercado que detém, ao Benfica o deve. Assim, o clube argumenta, ao longo das 54 páginas e 29 documentos incluídos no processo, que Jesus deve pagar “por defeito, um cálculo de um euro por cada adepto ou simpatizante”, isto “apesar de a lesão que ele provocou em cada um dos adeptos ser bem superior”. O cálculo do Benfica de um total de 14 milhões de adeptos ou simpatizantes é feito com base num estudo de opinião conduzido pela Aximage entre 1997 e 2001.

O clube da Luz justifica o processo com a rescisão “unilateral e sem justa causa” do contrato, que, segundo o Benfica, seria válido até dia 30 de junho deste ano. No entanto, se as águias argumentam que Jesus terá dado por terminadas as suas funções no Benfica a 5 de junho, baseando-se na conferência de imprensa desse dia em que o presidente do Sporting apresentou Jorge Jesus aos adeptos leoninos, o treinador apresenta uma versão bastante diferente. De acordo com o técnico, o Benfica tê-lo-á dispensado das suas funções a 4 de junho, quando o impediu de entrar nas instalações do clube.

O valor que Jorge Jesus teria de pagar se a ação se fundamentasse apenas na rescisão de contrato sem justa causa seria de 7,5 milhões de euros, mas os encarnados exigem um pagamento que compense a quebra de “lealdade”, que consideram que deveria continuar vigente já depois da cessação do contrato de trabalho. O Benfica afirma que Jesus terá oferecido ao clube de Alvalade “o modus operandi e a tecnologia, os técnicos, os métodos” e, por fim, a sua “intimidade desportiva”.

Para o clube presidido por Luís Filipe Vieira, o dano causado por Jorge Jesus, no que toca a danos não patrimoniais, “não tem limite”, uma vez que “não há memória de uma traição desta dimensão”.

O clube da Luz já avisou que vai chamar nove testemunhas a depor contra o antigo treinador. O tribunal do Barreiro, onde o processo deu entrada, tem agora dez dias para notificar o atual técnico do Sporting