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Só ele sabe porque não ficamos em casa

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Fernando Santos foi o obreiro da qualificação portuguesa para o Euro-2016

Getty

“Ele” é, claro, Fernando Santos. Apesar da exibição pouco feliz, Portugal voltou a ganhar, desta vez na Sérvia (2-1), e encerrou a qualificação para o Euro-2016 com a sétima vitória consecutiva com o engenheiro no comando

Às 17h, em Belgrado, chovia a cântaros. Não admira, por isso, que metade do estádio do Partizan estivesse às moscas. Os sérvios ficaram em casa porque o jogo com Portugal já não contava para nada: a Sérvia já não se podia qualificar para o Euro-2016 e Portugal já estava mais do que qualificado.

Foi por isso que, depois da vitória sobre a Dinamarca, Fernando Santos mandou Ronaldo, Tiago e Ricardo Carvalho (Coentrão também, mas por lesão) para casa. E, hoje, mudou o onze: mantiveram-se Patrício, Bruno Alves, Danilo e Nani, e entraram Nélson Semedo (a estreia numa seleção, aos 21 anos - 63 dias depois de também se ter estreado pelo Benfica), José Fonte, Eliseu, André André, Veloso, Danny e Quaresma.

Era evidente que as mudanças iriam criar outro Portugal, novamente com um ataque móvel, sem avançado fixo, mas nem houve muito tempo para pensar nisso. O jogo mal tinha começado quando uma transição rápida da seleção deu golo: Bruno Alves aliviou de cabeça, Danny recebeu a bola, passou por um adversário, rematou para defesa de Stojković (ex-Sporting) e Nani (hoje capitão), na recarga, marcou.

O que podia dar mais confiança à seleção teve o efeito inverso: a equipa portuguesa raramente teve a bola e deixou que a Sérvia fosse comandando o jogo, algo que as estatísticas ao intervalo mostravam claramente: 56% de posse para a Sérvia e 44% para Portugal; 17 ataques perigosos para os anfitriões, 7 para os visitantes.

A tendência manteve-se na 2ª parte e nem a mudança de Danny por Éder na frente da ataque surtiu efeito. Aos 65 minutos, aconteceu o que já se esperava: golo da Sérvia, por Tosic, numa jogada em que o meio-campo português (que andou sempre demasiado distante da linha defensiva) ficou a ver.

Rui Patrício não conseguiu defender o remate de Tosic mas o guarda-redes do Sporting foi o melhor português em campo

Rui Patrício não conseguiu defender o remate de Tosic mas o guarda-redes do Sporting foi o melhor português em campo

MARKO DJURICA/Reuters

A lógica diria que a Sérvia poderia ficar mais perto da vitória, mas com Fernando Santos a lógica portuguesa é que se impõe e sempre da mesma maneira: ganhar - pela margem mínima. Moutinho saltou do banco (por troca com um apagado Veloso) e, à imagem do que fez contra a Dinamarca, marcou com um remate de fora da área, após cruzamento atrasado de Eliseu.

Sétima vitória consecutiva de Portugal no apuramento - novo recorde da seleção - e, apesar da exibição pobre, há razões para ter confiança para o Euro-2016. Não só porque Portugal será cabeça de série, mas porque há o factor Fernando Santos. O engenheiro não quer saber da nota artística - “há quem goste de jogar bem e de perder, mas eu não gosto. O importante é ganhar” -, mas enquanto continuar a ganhar, ninguém se rala. É por ele que não ficamos em casa - e vamos a França.