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Seleção joga esta noite. De onde vem o perigo viking?

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Nicklas Bendtner (1,94 metros) a disputar uma bola nas alturas com Pepe (1,87 metros)

Alexander Demianchuk / Reuters

Portugal pode garantir a qualificação para o Euro-2016 já esta noite, em Braga (19h45, RTP1): basta empatar com a Dinamarca, 2ª classificada do grupo, que tem altura mas não assusta

“É sempre de ter em conta o estilo do adversário. Podemos não ser tão altos mas somos bons também. Não é que Bruno Alves não seja alto (tem 1,89 metros), mas o que o central português diz sobre o próximo adversário da qualificação para o Euro-2016 tem razão de ser: é que a Dinamarca gosta de pôr a bola no ar porque a maioria dos jogadores dinamarqueses tem alguns (muitos) centímetros a mais, que podem fazer a diferença nas alturas com os portugueses.

Isto é, se fosse preciso ser alto para jogar futebol. Porque há Messi, que tem 1,70 metros e é o que é (e Maradona, já agora, que tinha 1,65 metros), e, como dizia Brian Clough, “se Deus quisesse que o futebol fosse jogado nas nuvens não teria colocado a relva no chão”.

É certo que a dimensão física é um dos pontos fortes da seleção liderada por Morten Olsen (o selecionador é dos mais baixinhos, com 1,83 metros), mas nem os 1,89 metros de Simon Kjær e os 1,91 metros de Daniel Agger serviram para alguma coisa perante o salto (e cabeceamento) brutal de Ronaldo (1,85 metros) quando Portugal foi à Dinamarca vencer por 1-0, em outubro do ano passado, naquele que foi o primeiro jogo de Fernando Santos ao comando da seleção nacional.

O veterano Daniel Agger, que não tira os olhos dos avançados, é o capitão e o líder da defesa

O veterano Daniel Agger, que não tira os olhos dos avançados, é o capitão e o líder da defesa

Alessandro Garofalo / Reuters

Desde então, Portugal só somou vitórias e lidera o grupo I de qualificação para o Euro-2016, com 15 pontos em seis jogos. Logo atrás vem a Dinamarca, com 12 pontos em sete jogos, o que quer dizer que o jogo desta quinta-feira é, como diria Scolari, um “mata mata” para os dinamarqueses, porque é o último jogo que disputarão, ao contrário da Albânia, que é 3ª com 11 pontos (em seis jogos) e ainda jogará, também esta noite, com a Sérvia e domingo com a Arménia.

Ou seja, Portugal tem a vida facilitada: só precisa de fazer um ponto para se qualificar para o Europeu que decorrerá em França (qualificam-se diretamente os dois primeiros classificados; o 3.º disputará os playoffs - a não ser que seja o melhor 3.º de todos os grupos). Ao contrário da Dinamarca, que precisa de ganhar para se afastar da Albânia e fugir ao 3.º lugar.

Para isso, os dinamarqueses não deverão fugir muito do 'onze' utilizado no último jogo com Portugal: Schmeichel, Kjær, Agger, Boilesen, Jacobsen, Kvist, Eriksen, Krohn-Dehli, Vibe, Bendtner e Højbjerg. Destes, alguns merecem mais destaque do outros, pelo peso que têm na seleção. Começando logo pela baliza, onde Kasper Schmeichel - que chegou a viver em Portugal quando o pai esteve no Sporting, em 1999/00 e 2000/01 (“tenho uma ligação muito forte com Portugal, tenho belas memórias”) - merece elogios pelo jogo de pés e pela agilidade, apesar de, verdade seja dita, não ser nenhum Peter Schmeichel, ainda que seja titular do Leicester, aos 28 anos.

Kasper Schmeichel joga em Inglaterra (no Leicester), onde o pai foi rei (no Manchester United)

Kasper Schmeichel joga em Inglaterra (no Leicester), onde o pai foi rei (no Manchester United)

ALEXANDER DEMIANCHUK / REUTERS

Na defesa, o líder é o capitão Daniel Agger, trintão que esteve uma década no Liverpool mas regressou na época passada ao Brondby (a casa, portanto, uma vez que foi ali que começou), que faz dupla com Simon Kjær, central de 26 anos (o tal que deixou Ronaldo cabecear no jogo na Dinamarca) que está no Fenerbahçe, onde, curiosamente, joga com um português ao lado: Bruno Alves.

No meio-campo, o único totalista é o veterano (32 anos) Michael Krohn-Dehli, o inteligente médio-centro (que também pode descair para as alas) do Sevilha, mas os holofotes estão apontados para os dois putos mais criativos: Christian Eriksen, 22 anos, o especialista em bolas paradas do Tottenham, tecnicamente muito dotado; e Pierre-Emile Höjbjerg, 20 anos, o talento formado no Bayern Munique (atualmente emprestado ao Schalke 04) que Pep Guardiola chegou a dizer que poderia ser o novo Busquets, pela inteligência na leitura do jogo e pelo critério no passe.

No ataque, os olhos dos defesas portugueses vão estar no homem que já publicou uma foto nua dele próprio no Twitter, apenas com um sutiã a tapar os genitais: Nicklas Bendtner. O avançado de 27 anos do Wolfsburg costuma estar ligado a polémicas - em abril foi suspenso por chegar atrasado a um treino (“não há assim tanto trânsito em Wolfsburgo”, disse então o diretor) e no início da época o treinador meteu-o a treinar-se sozinho por estar em “péssima forma física” -, mas isso não o impede de ser uma verdadeira dor de cabeça contra Portugal: em seis jogos marcou seis golos, do alto dos seus 1,94 metros. Pode não ser um Ronaldo, mas também não é nenhum tosco. Nas nuvens e no relvado.