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Mourinho voltou ao Chelsea para ser feliz. Será?

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Num livro de 400 páginas escrito pelo próprio punho, José Mourinho não faz uma única referência a Cristiano Ronaldo

Alex Morton / Reuters

Na sua primeira autobiografia, lançada esta quinta-feira em Londres, José Mourinho diz que regressou ao Chelsea para contrariar a ideia batida “não voltes ao lugar onde já foste feliz”. Até ver, vingam “As Regras da Sensatez”, cantadas por Rui Veloso

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

De volta à cidade que lhe deu o título de “Special One”, o mediático treinador português acaba de lançar “Mourinho”, livro de 400 páginas, assinado pelo próprio punho, uma resenha de fotografias comentadas dos momentos mais altos da sua carreira, pontuada de algumas confidências pessoais.

Na publicação, que terá uma edição portuguesa anunciada pela Porto Editora em novembro, José Mourinho confidencia que no Chelsea, mais do que um treinador é um adepto. “Ser um dos adeptos faz-me viver o meu trabalho de forma diferente. É positiva, pois significa que sou mais do que um treinador”.

O técnico que ganhou fama ao vencer, contra todas as previsões, a Liga dos Campeões pelo FC Porto, em 2004, revela que tinha outras opções quando em 2013 deixou o Real Madrid, mas só uma decisão para a família: “Inglaterra, Londres, Chelsea”.

A nível pessoal, o treinador campeão inglês afirma que tinha ainda o desafio de contrariar a expressão popular “não voltes a um clube onde foste feliz”, de pronto desmentida no seu novo cliclo londrino ao tornar-se campeão inglês na época passada. Hoje, em 16.º lugar na Premier League onde competem 20 equipas e no pior arranque de época da sua brilhante carreira, quem sabe se Mourinho não terá já dúvidas sobre o seu arrojado passo, o tal com que quis fintar “As Regras da Sensatez”, da cancão de Rui Veloso.

O técnico dos “blues” é prudente em revelações de bastidores, não levantando o véu sobre os momentos controveros que viveu ao longo de 14 anos de carreira, em especial no Real Madrid.

Em relação ao Benfica, comenta que o clube não estava pronto para ele quando se estreou nas funções de treinador em 2000, confidenciando que recusou um convite para voltar à Luz no ano seguinte, quando estava ao leme da equipa da União de Leiria. Uma rejeição a que não foi alheia, como o próprio reconhece, “à abordagem incrível” do presidente do FC Porto. “Mourinho, tu és o homem para um novo Porto. Que incentivo posso dar-te para vires?”, terá dito Pinto da costa.

Dos anos de glória portista, Mourinho elege a célebre imagem do seu salto de celebração em Old Trafford, quando os dragões empataram e eliminaram o Manchester United, com um golo de Costinha, na Champions. “Um sprint de 50 metros. No dia seguinte tinha dois grandes clubes a baterem-me à porta. Um azul e um vermelho”, afiança, sem ousar nomes.

No livro, a família também não é esquecida, a quem agradece por todo o apoio, e mostra-se orgulhoso do convívio com personaliaddes como Bobby Robson, Pelé, Maradona, Eusébio, elogiando ainda jogadores como Drogba, Sneijder ou Zanetti. Num livro de memórias e louvores, a omissão mais gritante é Cristiano Ronaldo.