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Mourinho. Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz

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JOSÉ COELHO/ Lusa

O Chelsea de José Mourinho foi derrotado no Dragão, por 2-1, tal como em 2004

Na semana passada, em entrevista ao Expresso, Maniche dizia com propriedade - ele que foi campeão europeu com o Porto de Mourinho em 2004 - que hoje em dia “os treinadores têm muito medo de arriscar”. Vinha a questão a propósito da comparação entre o Porto de hoje e o Porto de 2004. Maniche respondeu assim: “Não gosto de fazer essas comparações. O futebol está diferente, os treinadores hoje têm muito medo de arriscar. Nós jogávamos em 4-3-3, sempre a atacar, o Porto de agora tem dois pivôs e às vezes nem sabes bem como é que joga. Acho que a qualidade baixou muito. Obviamente que diria que ganharíamos, mas não quero faltar ao respeito a ninguém.”

Hoje, no Dragão, Maniche deve ter pensado outra vez na questão quando o Porto divulgou o onze escolhido por Lopetegui para defrontar o Chelsea: Casillas (que estabeleceu hoje um novo recorde de jogos na Liga dos Campeões: 152 - apesar de parecer que a única coisa que interessava à imprensa espanhola era o reencontro com Mourinho), Maxi, Maicon, Marcano, Martins Indi (no lugar de Layun), Danilo, Imbula, Rúben Neves, André André, Brahimi e Aboubakar (Corona ficou no banco).

Confuso? Nem por isso. Não é nada que já não se tivesse visto no clássico, onde o meio-campo também foi reforçado e a equipa disposta numa espécie de 4-4-2, mas hoje quem ficou mais perto de Aboubakar foi André André (o falso extremo), com Danilo, Rúben Neves e Imbula a fecharem o meio-campo.

A mensagem de Lopetegui (até pela inclusão de Indi em vez de Layun) parecia mais defensiva do que ofensiva, e a verdade é que o Porto não começou nada bem o jogo - como no clássico, lá está. Foi o Chelsea a criar perigo primeiro, através de dois velhos conhecidos de Casillas: Fàbregas e Pedro.

ESTELA SILVA/ Lusa

Só que o guarda-redes do Porto fez duas grandes defesas (de certeza que amanhã haverá imagens das televisões espanholas da cara de Mourinho enquanto Casillas defendia) e o Porto lá animou quando Maxi Pereira começou a fazer de lateral e extremo direito ao mesmo tempo, dando mais profundidade ao flanco.

Mas até foi do outro lado, o de Brahimi, que surgiu o primeiro golo, aos 39'. O argelino puxou a bola para dentro - com Ivanovic, que está a ter um início de época para esquecer, a ficar a olhar - e rematou para a defesa de Begovic, e na recarga apareceu o homem que já tinha sido herói no clássico: André André.

Só que, em cima o intervalo, o mesmo Casillas que tinha feito duas grandes defesas ficou a ver passar o livre direto de Willian para o fundo da baliza. É verdade que o guarda-redes espanhol não viu a bola partir, como bem se queixou aos companheiros, tal era a densidade da barreira (com jogadores do Porto e do Chelsea), mas a bola entra do lado que o guarda-redes deve proteger (no final, Casillas fez mea culpa: "Podia ter feito muito mais. Não vi a bola partir, mas a responsabilidade é minha").

ESTELA SILVA/ Lusa

O empate podia ter caído mal no Porto, mas, pelo contrário, animou a equipa para a segunda parte. O golo logo a abrir - um excelente cabeceamento de Maicon, com a marcação individual de Cahill a falhar - facilitou, mas a equipa de Lopetegui (sempre muito enérgico na linha lateral, ao contrário de Mourinho, que nem festejou o golo) fez uma grande segunda parte (nota especial para o fantástico Rúben Neves - que só tem 18 anos, recorde-se) e encostou o Chelsea às cordas, ficando muito perto do 3-1. Ou seja, afinal, defensivos... q. b.

Tal como em 2004, Mourinho voltou com o Chelsea ao Dragão e... perdeu. Boa altura para citar um portuense que não joga mas também encanta: Rui Veloso, pois claro. Nunca voltes ao lugar/ Onde já foste feliz/ Por muito que o coração diga/ Não faças o que ele diz.