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“Mourinho gosta é destes jogos. São os que lhe dão mais gozo”

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Mourinho levou Maniche para o Chelsea em 2005, depois de também ter estado com o internacional português no FC Porto e no Benfica

Julian Finney/Getty

Maniche esteve com Mourinho no Benfica, no Porto e no Chelsea e não tem dúvidas: o treinador português é o melhor do mundo. E gosta de jogos emocionantes. E é por isso que o FC Porto vai ter muitas dificuldades para derrotar o Chelsea (19h45, RTP1, Estádio do Dragão)

Já jogaste no Porto, Chelsea, Atlético de Madrid e Benfica... É um bom currículo.
Coincidência [risos]. Obviamente orgulho-me muito do meu currículo, estive em algumas das melhores equipas do mundo, tive o privilégio de jogar ao lado de grandes jogadores e treinadores. Deu-me um enriquecimento muito grande para o meu futuro, porque o que quero é continuar ligado ao futebol, como sempre estive desde os nove anos. Portanto estar no top deu-me uma boa bagagem, sabes bem qual é a mentalidade quando estás numa equipa grande e jogas com uma pequena e vice versa também.

Gostas de ser treinador adjunto?
É uma posição de que gosto muito, porque gosto de estar mais em contacto com os jogadores, percebê-los e sentir a opinião deles. É um papel mais de psicólogo, digamos assim. Também já estive do lado deles e sei bem como é que são as coisas, às vezes não acordas para aí virado. Modéstia à parte, acho que consigo perceber quem está mais em baixo ou em cima, porque há jogadores que tens de acarinhar mais vezes e outros que dar mais duras para ele render mais. Gosto dessa parte e pelo feedback que tive da pouca experiência que tive, como adjunto do Paços de Ferreira, correu bem.

Então o Costinha era o polícia mau que ia lá gritar com eles e tu eras o bom?
Um treinador não tem de gritar para se impor, isso é uma falsa questão. Há pessoas que acham que é isso que faz um jogador correr mais, mas é tudo mentira. Para te impores na tua vida, na tua profissão, não é preciso andares à porrada com toda a gente. Tens de te impor é com o teu trabalho, para eles terem confiança em ti. Tens de falar a mesma linguagem deles, ser direto e frontal, porque os jogadores não gostam de conversas politicamente corretas.

Dos treinadores que tiveste há algum com quem sejas mais parecido?
Com o Mourinho, pela personalidade. Daí ele puxar muito por mim enquanto jogador, exigia muito de mim, picava-me para eu dar mais. Ajudou-me muito ao pôr-me à prova. Eu como o meu orgulho tentava sempre mostrar que ficava por cima dele, e íamos melhorando os dois assim. Ele faz tudo para ganhar. E quem com isso é o jogador que vai sempre melhorando. Não é por acaso que somos grandes amigos e temos um respeito mútuo pelo outro.

O Chelsea ultimamente não tem estado ao nível de Mourinho.
Não começou bem a liga inglesa mas nos últimos jogos já voltou a ganhar e a melhorar a confiança. Os jogadores são praticamente os mesmos, experientes, e o treinador conhece todos os cantos do mundo em termos de futebol, portanto só faltavam surgir os resultados. O Porto vai ter uma tarefa muito complicada, mas nada é impossível no futebol.

E voltar ao Dragão achas que lhe faz diferença?
Ele gosta é destes jogos. São os que lhe dão mais gozo. Ou por ter uma ligação positiva ou por ter uma ligação negativa, ele gosta. Os adeptos reconhecem-no como um dos melhores do mundo e certamente vão respeitá-lo. Claro que é capaz de levar uma assobiadela, mas no geral deve ser saudado pelos títulos que conquistou pelo Porto.

Como vês a tarefa do Benfica em Madrid [quarta-feira, 19h45, SportTV1]?
É complicada, porque o [Diego] Simeone fez com que o Atlético crescesse muito. Passou a uma equipa à imagem do treinador: combativa, dura e não vira a cara à luta. Têm lá um avançado que nem é titular, o Jackson [Martinez, ex-FC Porto], que acho que é um dos melhores do mundo. E jogar no Calderon é sempre muito complicado, mesmo para o Barcelona ou para o Real Madrid, independentmente do Atlético estar bem ou mal. E o Benfica como todos sabemos não está num período muito positivo. Teve uma pré-época mal preparada, com pouca tranquilidade e pouco tempo para se preparar. O Benfica nota-se que ainda é uma equipa confusa, que depende da sorte e do Gaitán. Quando ele não está bem o Benfica não é o mesmo e o Benfica não pode estar dependente de um jogador. O clube decidiu apostar na formação, só que todos sabemos que se meteres cinco jogadores da formação a jogar não vais ganhar nada. Tem de haver um equilíbrio com os jogadores com experiência internacional para atingires os teus objetivos. O Benfica assim vai ter dificuldades.

Tens memórias do teu colega de equipa no Alverca, Rui Vitória?
Não tenho grande memória. Era um tipo calado, até evergonhado, não falava muito. Ele também jogava mas era professor numa escola por isso não passava tanto tempo connosco. Gosta muito de futebol e tem os seus principios, não falta ao respeito a ninguém.