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Confissões de Pinto da Costa à revista “Dragões”

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ESTELA SILVA / Lusa

Líder do FC Porto diz estar como novo depois de retirar a vesícula, garante que o clube não é gastador nem Maxi Pereira veste a camisola dos dragões por dinheiro

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Em entrevista à revista “Dragões”, no dia em que o FC Porto comemora 122 anos de história, Jorge Nuno Pinto da Costa garante que está de regresso ao ativo “como novo e sem qualquer limitação”, após a cirurgia de remoção da vesícula, mas prefere por enquanto manter o tabu sobre a sua recandidatura.

Aos 77 anos de idade, na presidência do FC Porto há 33, Pinto da Costa revela que a SAD azul-e-branca acaba de bater o recorde em transferências, ao vender direitos de jogadores no valor de 114 milhões de euros, “o que equivale a uma mais-valia de 86 milhões de euros”. Apesar de não ter poupado para dar a Julen Lopetegui uma equipa competitiva, o líder portista recusa, contudo, o rótulo de esbanjador, afirmando que o investimento para a época em curso rondou os 30 milhões de euros, um terço das receitas encaixadas em passes. Quase tanto como o clube pagou de impostos ao Estado (31,6 milhões de euros), lamenta-se.

Entre os desabafos à “Dragões”, Pinto da Costa desfaz o que considera ser um mal-entendido: “Quando se diz grande investimento (na equipa) para dar a ideia que andamos a nadar em dinheiro, não é verdade”, adianta o decano dos dirigentes do futebol português e europeu, que lamenta os mais de 31,6 milhões de euros de impostos pagos pelo FC Porto na época 2014/2015.

Em vésperas de receber o Chelsea para a Champions, jogo em que José Mourinho irá receber um dos seus inimigos de estimação, Iker Casillas, Pinto da Costa faz questão de abordar a mais mediática contratação da temporada. Sem aludir à milionária folha salarial do guarda redes dispensado (e parcialmente financiado) pelo Real Madrid, Pinto da Costa explica como o internacional espanhol chegou ao FC Porto: “Se me dissessem que seria preciso comprar os direitos do Casillas nem sequer pensaríamos nisso. Mas quando o próprio Casillas admite sair do Real Madrid e quer vir para o FC Porto por aquilo que sabe que o FC Porto é, é evidente que não podíamos perder a oportunidade...”.

Sol no clássico, a sorte de Iker

Com Helton como alternativa, diz que os portistas podem estar descansados com a baliza, recordando a segunda parte do clássico com o Benfica, uma alegria depressa ensombrada pelo empate com o Moreirense, na última sexta-feira . “Eles não fizeram um único remate à baliza. O Casillas teve sorte porque estava sol. Se fosse no inverno ele tinha congelado”, comenta.

Outro equívoco que, segundo Pinto da Costa, paira no ar é o de que Maxi Pereira trocou os encarnados pelo Dragão por causa do vil metal, quando afinal preferiu o azul-e-branco porque “o FC Porto é uma marca convidativa para grandes jogadores, o clube, juntamente com o Manchester United e o Real Madrid, com mais presenças na Champions”.

Nas palavras de Pinto da Costa, Cristían Rodriguez, outro jogador que não resistiu a mudar de cores na passagem por Portugal, teve papel relevante no abraço de Maxi à causa portista, ao transmitir-lhe “as diferenças entre o Benfica e o FC Porto”. Prestígio que também pesou na hora de Danilo Pereira escolher entre Sporting e FC Porto e fez André André “largar imediatamente o Málaga, mesmo em condições inferiores”.

A versão de Bruno de Carvalho em relação ao desapego financeiro de Danilo é bem diferente, apresentada em tom cáustico, tal como o caso furado da contratação de Cervi, na sua intervenção, este domingo, em assembleia-geral do Sporting. “Aprendi a matemática reversiva: o futebol é o único negócio em que se vende a quem paga menos”, referiu o presidente leonino, referindo que o Sporting ofereceu seis milhões de euros por Cervi e o negócio terá sido feito por 4,8 milhões. Bruno de Carvalho insinua que benfica e e Rosário Central não terão divulgado os números exatos da operação, comportamento que diz ter-se repetido na fuga de Danilo do Marítimo para o FC Porto.

“Carlos Pereira fez um contrato que demorou 48 horas. Rapidíssimo, por 4,5 milhões de euros. Fechámos o acordo com o jogador em 24/48 horas. Depois, aconteceu a matemática reversiva: o negócio foi feito or 3,8 milhões para o FC Porto”, acrescenta Bruno de Carvalho. Quem falará toda a verdade?