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O nome dele é André. Repito, André

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MIGUEL VIDAL / Reuters

Porto ganha ao Benfica (1-0) num golo marcado pelo pequeno-grande jogador que faz tudo e tudo faz bem no Dragão: André André

Estes jogos fazem de nós tolinhos. Vamos aqui ou ali somar números, para dos números construírmos estastísticas e das estatísticas tendências. E concluímos coisas como estas: que o Benfica ataca mais, que marca mais, que cruza mais, que tem mais posse de bola, que faz poucas faltas - mas, também, que precisa de mais oportunidades para fazer golos. E o contrário, claro, é verdade para o Porto.

E, então, agarrados ao caderno de apontamenos rabiscado lá tentamos acreditar que isto se vai passar como pensamos porque, enfim, isto também terá a sua ciência, certo? Errado.

Primeira parte: FC Porto com 60% de posse de bola, com mais ataques, mais faltas sofridas e zero lances de perigo; e o Benfica ia marcando em dois lances de bola parada.

Nesta fase, esteve melhor a equipa de Rui Vitória, que aos bocadinhos vai cortando o cordão umbilical com Jesus - a defesa anda mais perto do meio-campo e o meio-campo do ataque, como se as três zonas tivessem um... cordão a mantê-las juntinhas. André Almeida jogou com Samaris e os dois andaram a acudir a fogos para deixarem Gaitán, Jonas e Mitroglou à solta - bom, no caso do brasileiro, quase à solta, porque a função dele é ambígua, metade avançado, metade número 10.

E o Porto? Bom, o Porto foi menos constante, porque aquilo que Lopetegui fez foi mexer e remexer nas peças à procura da melhor solução: Corona começou ao lado de Aboubakar e André André na direita; depois, Corona encostou à direita e André André foi para o meio; e Ruben Neves jogou sozinho ou acompanhado por Imbula. O que funciona melhor? Nesta dispensamos os números: qualquer um que ataque o lugar de Eliseu só tem a ganhar com isso.

Um dos duelos da noite: Gaitán vs Maxi

Um dos duelos da noite: Gaitán vs Maxi

ESTELA SILVA / Lusa

AS COISAS DA VIDA

Na segunda parte, o jogo mudou porque ao Porto e ao Benfica começaram a faltar pernas. E o que foi mau para eles foi bom para nós, porque o clássico foi-se deixando de taticismos e estratégias e de conversas chatas. Foi um tu cá, tu lá, interrompido com lances de perigo, sobretudo dos portistas, que têm mais e melhores soluções no banco - e isso permitiu-lhes rodar na Europa (em Kiev) para chegarem frescos ao Dragão. E enquanto Lopetegui pôs Danilo, Varela e Osvaldo (trocas diretas) em campo, Rui Vitória pôs Pizzi e Talisca para fechar as portas e as janelas e as portadas ou outra qualquer entrada pela se pudesse esgueirar um adversário. Acontece que nenhum lugar foi apertado demais para deixar passar André, repito, André.

[P.S. A vida tem destas coisas: André André foi contratado por Rui Vitória ao Varzim para o Vitória de Guimarães. Vitória disse-lhe duas coisas: que vestisse uma camisola um número abaixo e que mantivesse o cabelo rapado, para parecer maior e não passar despercebido. Bem dito. Bem feito.]

FERNANDO VELUDO / Lusa