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Uma locomotiva da Rússia: com amor e sem descarrilar

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Ninguém conseguiu parar Niasse no ataque do Lokomotiv de Moscovo

FRANCISCO LEONG/Getty

Sporting continua a ter um histórico trágico com equipas russas na Europa: desta vez foi o Lokomotiv de Moscovo a derrotar a equipa de Jorge Jesus, por 3-1, em Alvalade

Não é preciso ter curso de treinador para perceber que Jorge Jesus percebe da poda (quer dizer, da bola) e é por isso que quando ele diz que o objetivo do Sporting na Liga Europa é chegar à final, nós ficamos em sentido - e acreditamos, claro. Afinal, o 'mister' já chegou a duas finais da prova europeia. É certo que não as ganhou, mas, como ele costuma dizer, para perder é preciso chegar lá e nem todos o conseguem.

Serve este preâmbulo para concluir o seguinte: a jogar assim, é altamente duvidoso que o Sporting passe a fase de grupos da Liga Europa, quanto mais chegar à final. Como o próprio Jesus tinha dito, há três candidatos claros aos primeiros dois lugares do grupo H, e dois deles venceram hoje: o Besiktas ganhou na Albânia, perante o Skenderbeu (1-0), e o Lokomotiv de Moscovo ganhou em Alvalade, o que obriga o Sporting a ir ganhar a Moscovo, claro está.

Que o Sporting tem uma maldição qualquer com equipas russas já se sabia (ficou fora desta edição da Liga dos Campeões depois de ser eliminado pelo CSKA e perdeu a final da Taça UEFA perante a mesma equipa, em 2004/05), mas era difícil imaginar uma estreia tão má na fase de grupos da Liga Europa. Especialmente porque este Lokomotiv, apesar de ter efetivamente uma locomotiva atacante na frente (em russo, locomotiva diz-se Niasse? Esteve nos três golos e foi o melhor em campo), estava ao alcance do Sporting.

Só que este Sporting foi mais mole do que é habitual, sobretudo em termos defensivos, onde Jesus escolheu Tobias e João Pereira em detrimento de Naldo e Esgaio. E se Naldo já tinha demonstrado alguns erros de posicionamento contra o CSKA, o que dizer de Tobias perante o Lokomotiv? Nem Tobias nem João Pereira ficaram bem na figura perante a velocidade de Niasse (duas assistências e um golo aos 56') e a eficácia de Samedov (marcou aos 13' e aos 56'). Muito menos Gelson, que perdeu a bola que deu o primeiro golo russo, e Aquilani, cuja classe serve de pouco quando se fala em transição ataque-defesa (João Mário está castigado).

O Sporting ainda entrou bem na 2ª parte e chegou ao empate através de uma "bomba" de Montero (que acabou substituído alguns minutos depois, apesar de Teo ter estado bem mais apagado), aos 50', mas a locomotiva russa voltou a acelerar na sua especialidade - o contra ataque, que o Sporting nunca soube impedir convenientemente - e ficou novamente em vantagem. Até ao fim, sem descarrilar. E, por falar em carris (sim, toda a gente vai fazer essa piada nos próximos dias), onde terá andado Carrillo durante o jogo? O extremo não foi convocado porque a renovação com o Sporting não anda para a frente e, aí, não há quem descarrile Bruno de Carvalho: renova, joga; não renova, não joga. É uma opção legítima e coerente? Sim. Prejudica a equipa em termos desportivos? Sim. Porque, como se viu hoje, o plantel do Sporting não é assim tão extenso quanto isso, em termos qualitativos. Enquanto não há Ewerton e William, o 'mister' que resolva.