Siga-nos

Perfil

Expresso

Desporto

O clube que tem menos anos de existência do que Luisão de Benfica: eis o Astana

  • 333

O Astana eliminou os cipriotas do APOEL (provocando a saída de Domingos Paciência) e qualificou-se pela primeira vez para a fase de grupos da Liga dos Campeões

Getty

Os cazaques do Astana estreiam-se esta terça-feira na Liga dos Campeões, no sexto ano de existência do clube, e precisam de um dia (muito) mau do Benfica para poderem sonhar com uma vitória

Foi a 14 de setembro de 2003. O dia em que Luisão se estreou com a camisola do Benfica, frente ao Belenenses, foi agridoce. O jovem de 22 anos proveniente do Cruzeiro até marcou um golo, aos 87 minutos - o 3-1 -, mas não conseguiu - ele e os restantes pupilos de Camacho - impedir o empate do Belém, nos últimos minutos, que deixou o jogo em 3-3.

Já lá vão 12 anos desde a chegada do careca mais alto da Liga (já sem cabelo naquela altura), que hoje tem 34 anos. E o que é que isto tem a ver com o Astana? Tudo e nada. Nada, porque Luisão nunca pôs os pés no Cazaquistão (bom, vai pôr em novembro, quando o Benfica lá for, com temperaturas negativas a atrapalhar); e tudo, porque até o capitão do Benfica tem mais anos de carreira na Luz do que a equipa cazaque tem de existência. O que diz muito sobre as aspirações de um e de outro na Champions.

Mas, antes de irmos ao jogo jogado, a lição de história do dia: fundado em 2009 (o ano em que Jorge Jesus chegou à Luz), o Football Club Lokomotiv Astana passou apenas a FC Astana em 2011, pouco antes de ter sido incluído num grupo governamental denominado Astana Presidential Sports Club. E por que razão é que isto é importante? Porque este clube presidencial foi criado (e financiado) por Nursultan Nazarbayev, o presidente do Cazaquistão, com o objetivo de “promover a república do Cazaquistão além-fronteiras” (qualquer semelhança com a conversa da personagem fictícia Borat, que queria divulgar “a gloriosa nação do Cazaquistão”, é pura coincidência), nas diferentes modalidades: ciclismo, basquetebol, rali, boxe, hóquei no gelo, pólo aquático e, claro está, futebol.

O sérvio Maksimovic (ao centro) marcou o golo decisivo que qualificou o Astana para a fase de grupos da Champions

O sérvio Maksimovic (ao centro) marcou o golo decisivo que qualificou o Astana para a fase de grupos da Champions

Getty

Até agora, o nome Astana (que é a capital do Cazaquistão) com mais sucesso estava no ciclismo, que ainda no domingo teve Fabio Aru a conquistar a Vuelta (e já teve o português Sérgio Paulinho nas fileiras, ladeado por Contador e Armstrong, em 2009). Só que, agora, o futebol está a ganhar terreno, com a inédita qualificação para a Liga dos Campeões, depois de o clube ter eliminado os (favoritos) cipriotas do APOEL, liderados por Domingos Paciência (vitória por 1-0 em casa e empate 1-1 fora). Anteriormente, o Astana só tinha entrado nas rondas de qualificação da Liga Europa, ao conquistar a taça local: em 2011/12 não pôde participar porque a UEFA não permite inscrições de clubes com menos de três anos; em 2013/14 foi eliminado na primeira eliminatória; e na época passada fez um brilharete ao passar três rondas, sendo eliminado na derradeira pelo Villarreal.

Deixando a história de lado e passando à lição técnico-tática, a conclusão acaba a mesma: o Astana não é (em teoria, convenhamos) um rival à altura do Benfica. Campeão cazaque pela primeira vez na época passada, o plantel liderado por Stanimir Stoilov (ex-central do Campomaiorense em 1995/96 e 1996/97) atua habitualmente num 4-4-2 de propensão ofensiva que utiliza prioritariamente os corredores laterais para chegar à área adversária (especialmente o esquerdo, onde está o lateral Shomko, que gosta muito de atacar), mas o esquema é desdenhado na Europa, onde o mais seguro 4-2-3-1 permite um jogo baseado na retranca, de aposta em contra ataques rápidos e diretos.

Quanto à estrela da companhia, é Maksimovic. Quem? Pois. Não é propriamente conhecido dos adeptos, mas é um médio com qualidade, campeão mundial sub-20 pela Sérvia, que tanto sabe recuperar bolas como servir os companheiros adequadamente.

É a primeira vez que Rui Vitória vai participar na Liga dos Campeões, tal como muitos dos jogadores do Benfica (quer dizer, alguns deles nem no banco ficarão...): Semedo, Ederson, Lindelöf, Teixeira, Bilal, Andrade, Nuno Santos, Guedes, Taarabt e Carcela

É a primeira vez que Rui Vitória vai participar na Liga dos Campeões, tal como muitos dos jogadores do Benfica (quer dizer, alguns deles nem no banco ficarão...): Semedo, Ederson, Lindelöf, Teixeira, Bilal, Andrade, Nuno Santos, Guedes, Taarabt e Carcela

Miguel A. Lopes / Lusa

De resto, o Astana é um estreante (curiosamente, também Rui Vitória é estreante nisto da Champions - só esteve na Liga Europa com o Vitória de Guimarães) desconhecido, em Portugal e na Europa. Quem nos podia ter ajudado a conhecê-lo era Domingos Paciência, Sérgio Paulinho ou Fernando Melo Antunes, cônsul do Cazaquistão em Portugal, mas nenhum deles esteve disponível para falar com o Expresso. Ou seja, foi um dia muito mau para esta jornalista. E só num dia igualmente mau do Benfica é que o Astana poderá imaginar em vencer esta terça-feira na Luz (19h45, RTP1). Nem o diretor da equipa, Kaisar Bekenov, acredita. “Estamos aqui só para aprender. Não esperamos um bom resultado”.