Siga-nos

Perfil

Expresso

Desporto

Gaitán: Quem sabe, sabe e quem sabe nunca esquece. É como andar de bicicleta

  • 333

FRANCISCO LEONG/ AFP/ Getty Images

O Benfica ganhou ao Astana (2-0) que todos conhecíamos como a Astana, aquela equipa de ciclismo que jogava na Champions das duas rodas. Gaitán esteve em grande; os outros, nem por isso

Antes disto, o Astana era a Astana, aquela equipa de ciclismo do Cazaquistão que vestia de azul e de amarelo e que tivera tipos como Vinkourov, Alberto Contador e até Lance Armstrog, na versão pré-confissão a Oprah. Jogavam para ganhar a Champions das duas rodas - caso não tenham reparado, foi um ciclista da Astana (Arau) a vencer esta Volta a Espanha.

E o Astana? Bom o Astana é o Astana como o Íþróttabandalag Akraness é o Íþróttabandalag Akraness, com a diferença de que um é cazaque e o outro islandês. E se lhe parece que isto não é nada e que tenho pouco a dizer sobre ele, é porque tenho mesmo pouco ou nada a dizer sobre ele. A não ser estas três coisinhas: 1), é o clube que eliminou o Apoel de Domingos, que já foi despachado; 2), é o clube que calhou no grupo do Benfica; 3), é o clube que tem um treinador (Stoilov), que jogou no defunto Campomaiorense. É pouco, mas é melhor do que nada.
Ou seja: a Astana é forte, o Astana nem por isso.

Portanto, o Benfica-Astana da Liga dos Campeões, entre uma equipa que tinha um jogador com mais anos de clube (Luisão) do que a outra de vida - a piada é da Mariana Cabral - seria um passeiozinho no parque. De bicicleta pasteleira, que é aquela que se usa para ver as vistas enquanto se dá ao pedal. Mas não foi. Porquê?

Porque o Benfica não conseguiu marcar nos primeiros minutos, como o fez contra o Belenenses, e aquele futebol à Rui Vitória parece (ainda) curto quando o adversário lhe fecha a estrada. Há sprints e correrias, quase todas elas previsíveis, porque acabam com alguém na linha a cruzar lá para dentro, onde há Jonas e Mitroglou. E não há jogo de equipa lá à frente, porque é o chefe-de-fila quem carrega os colegas e não o contrário.

No ciclismo, os aguadeiros levam a estrela de A para B para que esta chegue a C mais folgada das pernas. No Benfica, Gaitán é A, B, C, D, E e corre o alfabeto até Z. Finta, tabela, cruza, assiste e marca golos. Sem ele, a criatividade diminui, as dificuldades aumentam, e uma etapa plana transforma-se numa de montanha.

É verdade que o Benfica esteve sempre por cima do jogo, com a bola nos pés, mas o perigo foi sempre relativo porque as coisas estão, agora, um bocadinho mais estanques e menos artísticas e dependem mais de um (Gaitán) do que era suposto.

Para a história fica um golo do argentino e outro de Mitroglou, uma bola nos ferros de Júlio César, dois miúdos a titular (Gonçalo e Nelson Semedo) uma asneira e uma assistência (Eliseu), uma vitória que valeu €1,5 milhões e um par de ditados populares: quem sabe, sabe e quem sabe, nunca esquece. É como andar de bicicleta.

Certo, Gaitán?