Siga-nos

Perfil

Expresso

Desporto

Sai Bernardo, entra Quaresma, golo de Veloso. E pronto, o “futebol é isto”

  • 333

FOTO ARMANDO BABANI/EPA

Portugal joga mal mas ganha a um adversário (1-0 à Albânia) que ainda não perdera na qualificação. O Euro-2016 está a um pontinho de distância. O factor S, de Santos e de sorte, volta a bater à porta

Isto de ser português tem que se lhe diga, mesmo quando não há grande coisa a dizer - mas sobre as coisas que não se dizem falarei lá mais para a frente.

Primeiro, um bocadinho de portugalidade do deixa andar, do para amanhã aquilo que é para hoje, do pai que já lá vai porque enquanto o pau vai e vem folgam as costas. Faz parte do jogo à portuguesa adiar o que é adiável até não o ser mais e depois salvar a pele na 25ª hora - foi assim em 2008 (Europeu, na Áustria e na Suíça) , 2010 (Mundial, na África do Sul), 2012 (Europeu, na Polónia e na Hungria) e 2014 (Mundial, no Brasil). Quatro competições seguidas nas quais Portugal entrou pela porta do playoff.

Não fui eu que o disse, foram os almanaques que o disseram.

Segundo, um bocadinho de anormalidade no deixa andar, do hoje que não é amanhã, do pai que já chegou e das costas que não chegaram a ir de folgas. Não faz parte do jogo à portuguesa antecipar acontecimentos e pôr a pele a salvo antes do fim do dia - à seleção basta um empate com a Dinamarca para chegar ao Euro-2016, em França, e os resultados com a Sérvia e com Arménia até podem ficar fora deste totobola.

Também não fui eu que o disse, foi o empate da Arménia e da Dinamarca que o disse.

Terceiro, e agora sim, as coisa indizíveis. O Albânia-Portugal foi fraco e aborrecido e estranho, como tantas vezes têm sido os jogos desta seleção nacional versão Fernando Santos. E se não são precisas explicações para a fraqueza e o aborrecimento, a estranheza explica-se com a imprevisibilidade: nunca sabemos com o que contar, quem joga, quem não joga e em que sistema ou modelo ou tática (ou outra palavra qualquer) se joga. Mas ganha-se.

Contra os albaneses, entrou Bernardo, para a direita, Nani, para a esquerda, e Danny e Veloso à frente da Danilo; e Ronaldo, lá à frente. Houve oportunidades, claro que as houve, sobretudo na primeira-parte em que Portugal mandou e pressionou e Ronaldo pôs a cabeça no sítio sem que a bola entrasse no lugar certo. Mas também houve disparates, como os de Eliseu, que se deixa cair sobre os adversários, chuta para a linha lateral, faz faltas parvas e tenta chapéus de aba larga quando o que se pede é um boné - Eliseu até poderia ter enfiado o carapuço, se Veloso, com o enésimo penteado da carreira, não tivesse marcado no último minuto.

São estas as esquisitices do Portugal de Fernando Santos, que substitui quem aparentemente está bem (Bernardo Silva) quando outros estão pior (Danny e Nani) e faz entrar o tipo (Quaresma) que cruza para o golo de outro tipo há muito desaparecido (Miguel Veloso) e derrota um adversário que ainda não perdera nesta qualificação.

O que se deve dizer nestas alturas? “O futebol é isto”.

Uma vez mais, não fui eu que o disse. Foi Fernando Santos. E o resto é conversa.

1 / 16

Foto ARMANDO BABANI/EPA

2 / 16

FOTO ARMANDO BABANI/EPA

3 / 16

FOTO ARMANDO BABANI/EPA

4 / 16

FOTO ARMANDO BABANI/EPA

5 / 16

FOTO ARMANDO BABANI/EPA

6 / 16

FOTO ARMANDO BABANI/EPA

7 / 16

FOTO ARMANDO BABANI/EPA

8 / 16

ARMANDO BABANI

9 / 16

FOTO ARMANDO BABANI/EPA

10 / 16

FOTO ARMANDO BABANI/EPA

11 / 16

FOTO ARMANDO BABANI/EPA

12 / 16

FOTO ARMANDO BABANI/EPA

13 / 16

FOTO ARMANDO BABANI/EPA

14 / 16

FOTO ARMANDO BABANI/EPA

15 / 16

FOTO ARMANDO BABANI/EPA

16 / 16

FOTO ARMANDO BABANI/EPA