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Futebol em dia de eleições? “Não há nada na lei que o impeça”

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RAFAEL MARCHANTE / Reuters

Pela primeira vez em democracia, haverá jogos de futebol no dia das eleições - vai acontecer a 4 de outubro. Nem a lei eleitoral e muito menos a lei desportiva impedem que haja partidas de futebol ou de qualquer outra modalidade em dia de eleições. Tem imperado a lei do bom senso, que parece agora não ser suficiente

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

Marcar os jogos de uma temporada de futebol é um quebra-cabeças mais complicado do que a decisão sobre a data das eleições. Este ano, a Liga de Futebol, empurrada pelos clubes, decidiu marcar uma série de jogos para o dia 4 de outubro, o dia escolhido pelo Presidente da República para os portugueses decidirem qual será o próximo governo.

"Não há nada na lei que o impeça", frisa Fernando Veiga Gomes, especialista em Direito do desporto. Então porque é que nunca houve jogos de futebol profissional em dia de eleições? "Porque a regra é que o Ministério da Administração Interna comunique às federações que organizam competições por jornadas o dia escolhido para as eleições e recomende que nada seja marcado para esse dia. Regra geral, a recomendação é acatada, este ano parece que será diferente", explica o advogado.

É que na quarta-feira anterior às eleições há um Atlético Madrid-Benfica para a Champions e no dia seguinte Belenenses, Sporting e Braga jogam para a Liga Europa. Para respeitar o prazo de 72 horas entre dois jogos imposto pela FIFA, os jogos para o campeonato português teriam de se realizar na segunda e terça-feira, mas na quinta há um Portugal-Dinamarca. "É um quebra-cabeças complicado", diz Fernando Veiga Gomes. "Mas com boa vontade, talvez se pudesse ter resolvido as coisas".