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Perdeu em 2005 mas acredita em 2015. “Sporting tem francas possibilidades de passar”, diz Peseiro

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José Peseiro levou o Sporting à final da Taça UEFA (agora Liga Europa) em 2005, num jogo de má memória para os sportinguistas: o CSKA venceu 3-1

CLIVE MASON/GETTY

O Sporting joga esta noite, na Rússia, a segunda mão do “play-off” da Liga dos Campeões, um dos jogos mais importantes da época, pelo dinheiro que envolve: são €12 milhões em caso de qualificação, mais os os milhões do próprio “play-off” e ainda outros tantos dos direitos televisivos. Conseguirá? José Peseiro responde

Enquanto José Peseiro preparava a final da Taça UEFA contra o CSKA, a 18 de maio de 2005, Jorge Jesus fazia contas à vida. É que o Moreirense, clube no qual J.J. pegou já em desespero de causa na reta final do campeonato, acabava de descer para a 2ª divisão. E com o Sporting de Peseiro a ajudar à festa, uma vez que foi a Moreira de Cónegos ganhar 3-1.

Na terça-feira, enquanto Jorge Jesus preparava a 2ª mão do playoff de qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões (esta quarta-feira, 19h45, RTP1), José Peseiro não estava ralado com contas: está na praia, de férias. Foi aí que o Expresso o apanhou, numa conversa rápida, entre mergulhos e com muito vento à mistura.

Olá, José. Aqui Mariana Cabral, queria falar consigo sobre o CSKA-Sporting de quarat-feira, para o Expresso.
Tudo bem, Mariana, mas agora não é boa altura, estou aqui na praia. Pode ser logo à noite?

Não dá lá muito jeito porque isto é para publicar no Expresso Diário, que sai às 18h.
Ah, realmente não estava a perceber como é que era para sair no Expresso, se o jogo é quarta-feira e o Expresso sai ao sábado [risos]. Então diga, mas olhe que está muito vento, não sei se vai perceber.

Vamos tentar. Viu a 1ª mão?
Sim. Acho que, dos jogos que vi, foi a melhor exibição do Sporting esta época. Por isso, acho que tem francas possibilidades de passar. Foi melhor do que o CSKA, teve mais oportunidades e poderia ter marcado mais golos.

O desagrado de Jesus diz aquilo que Peseiro também diz: o Sporting podia ter marcado mais golos ao CSKA em Alvalade

O desagrado de Jesus diz aquilo que Peseiro também diz: o Sporting podia ter marcado mais golos ao CSKA em Alvalade

MÁRIO CRUZ/ LUSA

O CSKA de quarta-feira vai ser o mesmo?
O que vimos em Alvalade foi o CSKA a defender com o bloco baixo, com muita contenção e a apostar no contra ataque, normalmente pelo lado do Musa, que é muito rápido. A equipa mostrou qualidade, esteve coesa e organizada, com esse modelo bem vincado. Só que vai ter atacar mais e assumir mais o jogo na Rússia.

E isso pode favorecer o Sporting?
O 2-1 não é um resultado fácil, porque é preciso ir jogar fora e ainda para mais jogar em Moscovo. Mas o Sporting tem vantagem, porque o facto de o CSKA ter de assumir mais o jogo pode expor o setor menos forte, que são os centrais. Vão ser mais postos à prova porque estarão mais sozinhos e com espaço nas costas e o Sporting pode aproveitar isso.

Musa e Doumbia já não terão espaço para criar as dificuldades que criaram em Alvalade?
O facto de o Sporting ter esse golo de vantagem permite-lhe poder ser uma equipa mais de transição, como disse. Ou seja, os jogadores velozes do CSKA terão menos espaço do que em Alvalade, porque as coberturas estarão todas mais próximas. Mas também é preciso ter noção que não se pode baixar muito, porque eles são perigosos no jogo aéreo, especialmente nos esquemas táticos.

O nigeriano Musa foi uma dor de cabeça para João Pereira, pela velocidade estonteante, como disse Jesus: “A estratégia deles era ir para cima do João. Se estivéssemos com uma linha mais baixa tirávamos espaço ao Musa, mas não queria tirar a criatividade ofensiva a quem estava à frente do João [Carrillo]. Foi um risco assumido”. Na Rússia provavelmente já não haverá esse risco

O nigeriano Musa foi uma dor de cabeça para João Pereira, pela velocidade estonteante, como disse Jesus: “A estratégia deles era ir para cima do João. Se estivéssemos com uma linha mais baixa tirávamos espaço ao Musa, mas não queria tirar a criatividade ofensiva a quem estava à frente do João [Carrillo]. Foi um risco assumido”. Na Rússia provavelmente já não haverá esse risco

RAFAEL MARCHANTE/REUTERS

Não é só uma questão de defender o resultado, então.
Não é defender mais, é defender bem. Acredito que sejam corrigidos os desequilíbrios que foram criados pelos jogadores do CSKA em Alvalade, apesar de eles poderem ter mais bola e mais autoridade do que aquela que tiveram aqui. É preciso o Sporting também ter bola em alguns momentos para controlar o jogo. Creio que o Sporting tem o antídoto para o CSKA.

É possível comparar este Sporting e este CSKA com os de 2005?
Não, não dá. São épocas e contextos muito diferentes. Não se pode comparar porque em 2005 era a final, eram condições muito diferentes. Mas é claro que este jogo também é muito importante para o futuro do Sporting, pelo dinheiro e prestígio que envolve. O que posso dizer é que espero que o Sporting se qualifique, porque seria muito bom para o clube e para o futebol português.