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Um Benfica a viver muito abaixo das suas possibilidades

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Mitroglou teve alguns cabeceamentos perigosos mas não conseguiu marcar

Miguel Vidal/Reuters

Mais uma exibição pobre do Benfica que, não contente com os empates dos rivais, fez ainda pior: perdeu com o Arouca, que agora é líder da Liga

Em entrevista ao Expresso, há duas semanas, Rui Vitória disse o seguinte: “Eu trabalho muito para o futebol, mas sei que serei melhor treinador se souber o que se passa no mundo, fora do futebol. Os clubes estão diferentes, os jogadores estão diferentes, este é um desporto globalizado. A hora e meia de treino talvez seja o menos importante. Temos de saber lidar com os jogadores, administração, o projeto do clube, o planeamento da época, etc.”

Rui Vitória tem razão no que diz? Talvez tenha alguma. Só que o treinador do Benfica parece estar confuso sobre as suas funções atuais no clube: é 'mister', não é 'manager'. Quer dizer, talvez seja altura dessa tal hora e meia de treino ser o mais importante, e não o menos importante.

Isto porque o Benfica que se viu esta noite, em Aveiro, perante o Arouca de Lito Vidigal (a mostrar que o trabalho que fez em Belém não foi um acaso) foi confrangedor. Outra vez. Especialmente no sector em que é mais “fácil” perceber o dedo do treinador (porque se deve reger mais por comportamentos coletivos do que por criatividade individual): a defesa.

Ainda não tinham passado cinco minutos de jogo e a defesa do Benfica já metia água por todos os lados (especialmente o direito): David Simão recebe a bola na área benfiquista de costas para a baliza, Luisão é pouco agressivo na contenção e Simão roda e passa para o buraco que Nelson Semedo, mal posicionado (devia estar na linha de Luisão, a fechar por dentro e não por fora do adversário), cria - Roberto recebe sozinho e bate Júlio César.

O mau posicionamento de Semedo (sim, tem muito potencial, mas defensivamente tem criado problemas - viu-se Luisão a chamá-lo e a tentar corrigi-lo) e da defesa do Benfica foi frequente e permitiu que, em 20 minutos, o Arouca tivesse três oportunidades flagrantes para marcar. Mais uma vez, valeu Júlio César.

Do lado do Arouca, também Bracalli esteve em grande nível, conseguindo reter vários remates de longe de Pizzi e Gaitán e cabeceamentos de Mitroglou, no melhor período do Benfica, perto do intervalo, quando houve mais ataques e parecia que o golo estava perto.

Contudo, na 2ª parte já não houve esse Benfica. Jonas esteve apagado, Mitroglou também, Gaitán raramente apareceu e Ola John saiu ao intervalo para a entrada de Victor Andrade. Depois, Rui Vitória tirou Eliseu para pôr um alheado Carcela e, já em desespero de causa, substituiu Samaris por Jiménez. Sem sucesso. Muitos avançados, poucas ideias.

O Arouca manteve-se firme e somou os três pontos que lhe permitem ser, surpreendentemente, líder da Liga portuguesa, quando se pensava que seria o Benfica a aproveitar os empates de Sporting e Porto, à 2ª jornada. Só que, com resultados assim e, mais do que isso, a jogar assim, dificilmente o Benfica acompanhará os rivais durante muitas jornadas.