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Sporting: CSKA nevasse, fazia-se cá ski

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FOTO RAFAEL MARCHANTE/REUTERS

Os de Alvalade fizeram dois golos ao CSKA de Moscovo, que fez um, e partem em vantagem para a segunda-mão do playoff de acesso da Liga dos Campeões

Há coisas que não se esquecem e uma delas é a história, que Karl Marx dizia repetir-se em dose dupla, primeiro, como tragédia, depois, como farsa. E estas são duas coisas que o Sporting queria esquecer, porque antes da farsa vem a tragédia e seria trágico perder o comboio da Champions aos pés daqueles que lhes ganharam a Taça UEFA em casa há dez anos. Depois disso, claro, chegaria a farsa e ver dinheiro do bom a voar janela fora não tem piada nenhuma.

Portanto, não havia tempo a perder e os de Alvalade entraram em Alvalade como os alunos que estudam na véspera o que não estudaram num ano (Jorge Jesus só lá está há 7 semanas): debitaram tudo o que sabiam enquanto a matéria estava fresca. Correrias, extremos a jogar por dentro e laterais a jogar por fora, pressão, cruzamentos - e um golo. Antes do minuto 15, Teófilo Gutièrrez marcou a passe de Bryan Ruiz e um bocadinho da história de 2005 começou a diluír-se em castelhano das Américas e no português de Portugal das bancadas.

Mas o problema nisto de decorar um livro inteiro cheio de novidades (Jesus quer que se jogue como ele quer, porque ele é o cérebro) à 24ª hora é este: às tantas, há uma linha que falha, o texto deixa de fazer sentido e os erros acontecem. E foi assim, nas entrelinhas, que o CSKA de Moscovo, que levava sete jogos oficiais antes deste, começou a aproveitar os buracos no playbook sportinguista, alternando Musa e Doumbia no lado de João Pereira, sem pernas para um, nem canetas para o outro. Num lance em que correu 40 metros com a bola da esquerda para o meio, Doumbia fez o golinho que não fizera no penálti que Rui Patrício defendera: 1-1 e um copo de água fria ao intervalo.

Na segunda-parte, o Sporting não entrou tão forte, até porque tinha menos rodagem do que o CSKA, mas ainda assim foi sempre melhor do que o rival. Os lisboetas tinham a bola e queriam a bola em todo o lado; e os moscovitas só a queriam là a frente, em contra-ataque. Que, a acontecer, acontecia sempre pelo lado onde estava João Pereira, algumas vezes só, outras mal acompanhado por Carrillo, que subiu muito e desceu pouco.

Foi então que Jesus decidiu dar a volta ao texto e lançou gente nova (Gelson) e descansada (Aquilani, estreia pelo Sporting) com a tabuada na ponta na ponta língua. O Sporting voltou a mexer-se mais e melhor, porque Ruiz e Gutièrrez estavam já com a cabeça fora da sala de aula (sobretudo o colombiano), e chegou ao golo, por Slimani. Ficou 2-1.

É um resultado apertado? Talvez. E se Slimani tivesse marcado em cheio as oportunidades que teve? E se o árbitro tivesse visto a falta sobre Ruiz? E se não tivesse trocado a mão pela cabeça de Berezutksi? E se...

CSKA nevasse, fazia-se cá ski. Os "ses" não entram nas histórias da bola e o Sporting procurará expiar a de 2005, em Moscovo.