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Coe ou Bubka. IAAF escolhe um presidente de prestígio

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Numa instituição em que ‘a antiguidade é um posto’, os 58 anos de idade jogam a favor de Sebastian Coe (à esq.), contra os 51 de Bubka

Alexander Hassenstein / Getty Images

Sebastian Coe, distinguido como barão pelos excecionais feitos no meio-fundo curto (800 e 1500 metros) ao serviço da Grã-Bretanha, parte com aparente favoritismo sobre o ucraniano Sergey Bubka, o mítico “czar” do salto com vara, o primeiro homem a elevar a fasquia bem acima dos seis metros

Sebastian Coe ou Sergey Bubka, um deles será presidente da IAAF a partir desta quarta-feira e é inquestionável que nunca o organismo mundial do atletismo teve um líder com “pergaminhos” tão fortes a nível desportivo.

Em Pequim, o ponto alto do Congresso da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) será justamente a sucessão do senegalês Lamine Diack, no cargo desde 1999, com os dois antigos campeões olímpicos e recordistas mundiais na corrida.

Lorde Sebastian Coe, distinguido como barão pelos excecionais feitos no meio-fundo curto (800 e 1500 metros) ao serviço da Grã-Bretanha, parte com aparente favoritismo sobre o ucraniano Bubka, o mítico “czar” saltador com vara, o primeiro homem a elevar a fasquia bem acima dos seis metros. Coe, campeão olímpico dos 1500 metros em 1980 e 1984, conseguiu a proeza ainda não igualada de deter em simultâneo os recordes do Mundo dos 800, 1000 e 1500 metros.

Os seus já conhecidos apoios, entre os quais dos poderosos Estados Unidos e Rússia, antecipam uma vantagem para Sebastian Coe, que além do currículo impressionante nas pistas tem a seu favor a bem-sucedida organização dos Jogos Olímpicos de Londres, há três anos, isto sem falar do assento no Parlamento britânico desde 1992.

Pelas intenções de votos diculgadas, o inglês está à frente, por 37 contra seis, só que o colégio eleitoral é extenso - há 214 federações filiadas - e o voto da imensa China vale tanto como o da pequena ilha caribenha de Anguila, por exemplo.

Tal como Coe, Sergey Bubka também tem um historial forte no dirigismo desportivo, tendo sido a cara da comissão de atletas do Comité Olímpico Internacional durante anos, antes de passar a ser presidente do Comité Olímpico do seu país, que desde então tem reforçado protagonismo.

Bubka é o homem dos 35 recordes do Mundo no salto com vara, quase sempre um palmo à frente da concorrência. Incrivelmente, só uma vez foi campeão olímpico, mas nos Mundiais conseguiu seis títulos.

Tal como Coe, Bubla foi para a política e subiu a deputado no Parlamento ucraniano, chegando mesmo a ser um dos conselheiros do antigo Presidente Viktor Ianukovitch. A evolução política na Ucrânia não jogou a seu favor, tanto mais as suas ligações são ao leste do país, nomeadamente a Donetsk, onde tem uma academia para jovens talentos.

Tanto Bubka como Coe já são já vice-presidentes da IAAF e a sucessão de Diack - que completou 82 anos - é, tudo o aponta, pacífica, com o senegalês a falar de “um filho do nosso desporto, muito fiável”, qualquer que seja o vencedor na eleição desta quarta-feira.

“Nenhum dos candidatos está num ambiente desconhecido, estão lançadas as bases para o futuro da IAAF com dois grandes campeões”, garante Diack, o mais inesperado presidente da Associação, a que chegou por morte do carismático antecessor, o italiano Primo Nebiolo, de que era vice.

Avessa a mudanças, a IAAF tem tido por regra mandatos quase vitalícios, que chegaram aos 32 anos do sueco Sigfrid Edstom. O inglês Lord Burghley esteve 30 anos no posto, Diack 17 e Nebiolo 16, só destoando os cinco anos do holandês Adriaan Paulen.

Desses, apenas o barreirista Burghley foi campeão olímpico. Diack foi um saltador em comprimento mediano e os restantes vieram do dirigismo desportivo, com carreiras não visíveis como atletas.

Numa instituição em que ‘a antiguidade é um posto’, os 58 anos de idade também jogam a favor de Sebastian Coe. Aos 51 anos, Bubka sente que provavelmente não é ainda a sua vez e resguarda a sua posição com a candidatura, em alternativa, a um dos lugares de vice-presidente.

Há quem veja nessa ambivalência eleitoral um ponto fraco para Bubka e seja tentado a visualizar, logo à partida, o “czar” do salto com vara na sombra do meio-fundista nos próximos anos. “Coe presidente e Bubka vice-presidente é um quadro de sonho”, diz Alfio Giomi, da federação italiana, que está com Coe.

Quem quer que vá para a cadeira de Diack, sabe que recebe de herança a difícil gestão da polémica com os casos de dopagem, que atiraram de novo a modalidade para o centro das atenções, mas pelas piores razões.

A polémica foi reacendida com as reportagens da ARD e do “Sunday Times” e causou uma nuvem de desconfiança sobre os principais resultados da primeira década deste século, uma imagem que Sebastian Coe e Sergey Bubka já disseram que tem de ser melhorada - essa é uma prioridade comum.