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O futebol é um lugar estranho (mesmo para quem tem Messi)

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Chris Brunskill/Getty Images

A Supertaça Europeia parecia mais do que decidida quando o Barcelona levava três golos de avanço (cortesia do brilhantismo de Messi), mas o Sevilha empatou e foi preciso prolongamento para decidir a coisa com um resultado à hóquei (5-4) e um herói (im)provável: Pedro

O futebol é isto. Prognósticos só no fim. O jogo só acaba quando o árbitro apita. Enquanto for possível vamos continuar a acreditar. Temos de dar tudo lá dentro. Até vamos comer a relva.

Joseph Prudhomme (não confundir com Preud'homme, belga que foi um dos melhores guarda-redes do Benfica) foi uma personagem criada pelo escritor francês Henry Monnier no século XIX para caricaturar a burguesia de então. E o que fazia Prudhomme? Simples: apesar do tom pomposo, repleto de formalidades, só dizia uma série de banalidades sem conteúdo.

Como as trivialidades futebolísticas - algumas delas listadas mais acima - que costumamos ouvir da boca de protagonistas e adeptos. Constatam o óbvio e não parecem ter interesse nenhum. Até que nos apercebemos que há jogos em que todas elas surgem como verdades incontornáveis. Como aconteceu esta noite, em Tiblissi, na Supertaça Europeia entre Barcelona, vencedor da Liga dos Campeões, e Sevilha, vencedor da Liga Europa.

Um jogo que parecia mais do que decidido aos 44 minutos, quando Rafinha faz o 3-1, e completamente acabado aos 52 minutos, quando Suárez faz o 4-1 - já depois de dois livres diretos fenomenais de Lionel Messi, que passou a primeira parte a relembrar-nos que, tal como já disseram Piqué, Puyol e Buffon, ou outro qualquer adepto com olhos, é um extraterreste que joga na terra -, renasceu quando o Sevilha conseguiu empatar e levá-lo a prolongamento.

Mon dieu, Mathieu

Voltando ao início. O jogo ainda mal tinha começado quando Banega concretizou um livre direto de forma perfeita e fez o 1-0 para um Sevilha remediado, com falta de centrais (o português Daniel Carriço foi um dos ausentes).

Logo depois, aos 5' e 15', outro argentino mostrou que também saber marcar livres diretos e bateu o português Beto (famous last words de Beto, ao "Diário de Notícias", na antevisão do jogo: "Messi é fabuloso mas desta vez acho que vai ficar a zero") com precisão cirúrgica. Por esta altura o Sevilha já tinha onze jogadores atrás da linha da bola e o Barcelona fazia o que bem entendia, chegando ao 3-1 e ao 4-1.

O problema é que a superioridade pode dar lugar à soberba e a equipa de Luis Enrique foi esquecendo que o melhor lugar para defender é na área contrária. E depois apareceu Mathieu, hoje adaptado (apesar de em tempos ter começado como lateral, antes de se tornar central) a lateral esquerdo, devido à lesão de Alba. Mal posicionado, comprometeu no 4-2, do ex-benfiquista Reyes, e no 4-3, quando fez o penálti que permitiu a Kevin Gameiro bater Ter Stegen.

Entretanto Luis Enrique já tinha trocado Rafinha por Bartra, só que defender com mais não é defender melhor e foi precisamente numa distração de Bartra que surgiu o 4-4, por Konoplyanka, aos 80'.

O improvável acontecia mesmo (inserir aqui mais banalidades futebolísticas). A Supertaça foi para prolongamento e foi preciso chegar aos 115' para o provável reaparecer. Pedro Rodriguez, aquele que já foi vendido ao Manchester United (e ao City) uma mão cheia de vezes nas últimas duas semanas - e por isso não foi titular, só entrou aos 90+3' - estava no lugar certo à hora certa e marcou o golo da vitória, aos 115'. E porque é que isto é provável? Porque Pedro também já tinha marcado aos 115' na Supertaça Europeia de 2009. Às vezes o futebol é prudhommiano. E estranho.