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Jesus é um monstro de duas cabeças

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Jorge Sena Goulão

O Sporting ganhou a Supertaça ao Benfica (1-0) com um golo do colombiano que pôs o pé e deixou Júlio César em contrapé. Jesus começa esta época como acabou a anterior: a ganhar

A Supertaça de Portugal é um troféu que na escala de um a 10 anda ali pelo cinco, seis porque se joga no início da época e se decide num só jogo, e porque os jogadores que lá andam estão um bocadinho mais anafados e bronzeados do que deveriam estar. É bom ganhar, é mau perder, mas nem sempre quem a ganha, ganhará mais no futuro, e quem a perde, perderá mais. A não ser que se ganhe mesmo quando se perde; a não ser, claro, que estejamos a falar de Jorge Jesus.

Para os mais esquecidos, J.J. fez questão de lembrar quem e o que era - um tipo omnipotente e omnipresente, capaz de atacar por uma equipa e defender por outra, no mesmo jogo. A Supertaça era uma win-win situation: ganhando-a pelo Sporting, mostrava que era melhor, porque em dois meses tinha construído tudo em Alvalade; perdendo-a para o Benfica, mostrava que era o melhor, porque o que deixara na Luz não se desfazia em dois meses. E a tudo isto que ele disse um dia e redisse dois dias depois, juntaram-se duas histórias tão distantes uma da outra como os treinadores que se sentaram no banco (a pré-época desastrada do Benfica e a certinha do Sporting) para se chegar à conclusão: os de Alvalade partiam favoritos.

E se partiam favoritos e tinham um treinador que tinha dito o que dissera, precisavam de mostrá-lo dentro do campo. Aliás, tinham de prová-lo dentro de campo. Foi o que fizeram, sobretudo nos inícios de cada parte, em que carregaram sobre Nelson Semedo (o miúdo surpresa) e Sílvio (que ganhou ao concorrente de peso, Eliseu) e Jardel e Lisandro. Ataques rápidos, contra-ataques ainda mais rápidos, pressão, mãos dadas nas bolas paradas, e muita gente ao barulho dentro da área.

Nessa meia-hora dividida a meio, viram-se pedaços de Jorge Jesus vintage, com um pormenor: no relvado não estava um grande e um pequeno mas dois grandes e um deles até fora maior do que os outros nos últimos tempos. Ao Benfica valeu Júlio César que pôs as mãos e os pés onde devia quando os seus colegas não estavam onde deviam estar - mesmo com Fejsa e Samaris e Talisca contra Adrien e João Mário, o meio-campo encarnado pareceu curtinho.

É verdade que a espaços o Benfica conseguiu equilibrar a coisa e Jonas até teve um par de hipóteses para marcar; mas isso aconteceu porque em agosto e sem ritmo e com 30 e tal graus à noite, ninguém consegue correr sem parar. Mas não é menos verdade que o Sporting foi superior e ativo e o Benfica inferior e apenas reativo, um à procura do erro do adversário e o outro sempre com medo de errar.

E quando assim é não se discute quem ganha e quem perde, mesmo que o triunfo apareça num golinho estranho e rocambolesco, porque a bola bate num pé (de Téo Gutiérrez) que apanha o guarda-redes em contrapé.

P.S: Sim, houve um golo mal anulado (a Téo Gutiérrez). E, sim, houve um penálti não assinalado (sobre Gaitán).