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Cinco perguntas (e uma interessa aos portistas) para lançar o jogo que todos querem ver

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A época 2015/16 não podia pedir melhor arranque, um dérbi Benfica-Sporting que deverá lança pontes para o futuro próximo

Porque é que o Benfica precisa de ganhar ao Sporting?

MIGUEL A. LOPES/LUSA

A resposta parece fácil: porque ainda não ganhou nenhum dos cinco jogos da pré-temporada e o campeonato, cujo título é o mais ambicionado dos cinco que o clube vai disputar esta época, arranca já dentro de uma semana. Um triunfo se faz favor, e depressa, é o pedido premente do universo benfiquista, habituado que está ao ciclo vitorioso dos últimos anos, um cunho deixado por Jorge Jesus.

Mas o técnico foi-se embora, cortando com um ciclo de seis anos, e o seu substituto está obrigado a manter a tendência. O problema é que apesar dos jogos de início de época servirem para fazer experiências e alinhavar acertos, sob o comando de Rui Vitória, que chegou à Luz em grande parte pelo excelente trabalho realizado com parcos recursos em Guimarães, o Benfica parece ter perdido o norte. Nos cinco jogos realizados até agora exibe três derrotas e dois empates (no tempo regulamentar). E as exibições produzidas também não têm impressionado.

É por isso que um triunfo na Supertaça deste domingo, e logo diante do velho rival lisboeta, facilitará o muito trabalho que Vitória ainda tem pela frente, libertando-o também da imensa pressão que estará a sentir desde que chegou.

Porque é que o Sporting precisa de ganhar ao Benfica?

Troféu Cinco Violinos foi ganho pelo Sporting no jogo de apresentação aos sócios

Troféu Cinco Violinos foi ganho pelo Sporting no jogo de apresentação aos sócios

José Sena Goulão

Se o Benfica não ganhou nenhum dos jogos da pré-temporada, os leões, pelo contrário, não perderam nenhum. Jesus chegou a Alvalade na condição de bicampeão com a camisola do Benfica e num ápice parece ter conseguido “picar” os seus jogadores e habituá-los à senda dos triunfos. Verdade seja dita que o treinador herdou um Sporting vencedor, depois da conquista da Taça de Portugal, mas ainda moldado a um esquema táctico que não é o seu preferido.

Chegado a Alcochete, Jesus começou a ajustar as peças e a montar um Sporting à sua imagem. Contratado para liderar um novo ciclo, assumido por ele e pelo presidente Bruno de Carvalho logo desde a apresentação aos sócios, o treinador precisa de confirmar no jogo deste domingo a tendência exibida na pré-época e sobretudo vincar junto dos jogadores que a força de uma equipa faz-se também à custa de vitórias sobre grandes equipas. Se o fizer diante o Benfica, vencedor de oito dos últimos 12 dérbis, tanto melhor.

É que convirá recordar que os sportinguistas já não festejam uma vitória sobre o rival da Segunda Circular há mais de três anos (Alvalade, 8 de abril de 2012, 1-0, golo de Van Wolfswinkel).

Quem está em melhor forma?

Aí está outra questão que recolherá uma quase unanimidade: a julgar pelos resultados da pré-época, o Sporting parece partir na frente e mais solto e confiante. Mas nem sempre o que parece acaba por acontecer e sendo-o-futebol-uma-verdadeira-caixinha-de-surpresas (para usar uma frase feita) o melhor será esperar para ver…

Os analistas têm insistido que o Benfica, depois de perder o treinador de seis anos, ainda está à procura de uma nova identidade. Esquecendo as provocações de Jesus feitas esta semana, a equipa procura assimilar as ideias de Rui Vitória, mas confronta-se também com as indefinições do plantel. Saíram dois elementos fulcrais no onze da época passada (Maxi Pereira e Lima) e a muito falada transferência de Gaitán para o Manchester United não tem ajudado à estabilidade do grupo.

Já do lado oposto tudo parece correr da melhor forma. À assimilação rápidas das ideias de Jesus e aos resultados positivos somou-se sobretudo um triunfo seguro no último jogo antes da Supertaça (Roma, 2-0, na apresentação da equipa aos adeptos). E será bom não esquecer que a equipa continua a ser reforçada com jogadores experientes, que prometem acrescentar maturidade. Alguns dos reforços (sobretudo os mais recentes, Aquilani e Bruno Paulista) não deverão estar em condições de alinhar, mas independentemente disso o Sporting parece respirar mais confiança e estar em melhor condição.

Será suficiente para ganhar? O melhor é responder à moda de João Pinto: prognósticos só no final do jogo.

Quem vai desempatar a Supertaça?

Em 36 edições da Supertaça, o Benfica participou em 16 e o Sporting apenas por oito vezes, estatística que evidencia flagrantemente a escassez de títulos conquistados pelos leões nas derradeiras quatro décadas. E se se falar em confrontos directos entre as duas equipas, a contabilidade é ainda mais reduzida: apenas dois jogos (na realidade quatro, porque a final era feita em duas mãos), ambos na década de 80 do século passado.

Iniciada em 1979 com um FC Porto-Boavista, a Supertaça do ano seguinte juntou os estreantes Benfica e Sporting. O primeiro jogo, em Alvalade, terminou empatado (2-2) e no segundo, na Luz, o Benfica levou a melhor (2-1). Só sete anos mais tarde o Sporting pôde igualar a contenda, vencendo ambos os jogos: 3-0 (Luz) e 1-0 (Alvalade). Quem ganhar esta noite desempata, portanto, esta contenda particular.

Para quem gosta de números aqui vão mais alguns: o Benfica, detentor do título, venceu apenas cinco das 16 edições; já o Sporting parece ter feito da Supertaça o seu troféu nacional de eleição ao vencer em sete das oito vezes que participou, a última das quais há sete anos, diante do FC Porto (2-0).

Qual é o resultado ideal para o FC Porto?

Julen Lopetegui vai ser um espectador atento, seguramente, da Supertaça deste domingo

Julen Lopetegui vai ser um espectador atento, seguramente, da Supertaça deste domingo

Guido Kirchner / EPA

A equipa do FC Porto tem sido dominadora absoluto da história da Supertaça, que já venceu por 20 vezes, deixando apenas 16 para os restantes adversários.

Estatisticamente ser-lhe-á indiferente quem ganhe, já que continuará largamente distanciada na frente, porque soma mais títulos do que todos os restantes vencedores juntos, sendo que só outros quatro clubes levantaram o troféu: Sporting (sete vezes), Benfica (cinco), Boavista (três) e Vitória de Guimarães (um).

Há dois anos afastado destas lides, o FC Porto vai ser seguramente um espectador atento deste confronto, até para aferir a real condição dos seus dois principais adversários, numa época que promete equilíbrio entre os três grandes e em que os nortenhos estão “proibidos” de não ganhar nada.

Mas na ótica do adepto portista e a uma semana do arranque da Liga, convirá seguramente que se assista a um dérbi “chocho”, sem grandes evidências e exibições de parte a parte. Ou seja: quanto pior estiverem os outros… melhor.