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Katie Ledecky, a menina de ouro

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STEFAN WERMUTH

A norte-americana venceu todas as cinco provas em que participou nos Mundiais de natação e soma já nove recordes do mundo

Helena Bento

Jornalista

A norte-americana Katie Ledecky voltou a deixar Kazan de pantanas, ao conquistar este sábado o 1º lugar nos 800m livres, elevando para cinco o total de medalhas de ouro nesta edição dos Mundiais de natação.

Ledecky, que terminou a prova em 8m07,39s, bateu a sua marca mundial estabelecida em 2014 (8m11s) e soma já nove recordes. Atrás de si, ficou a neozelandesa Lauren Boyle (8m17,65s) e a britânica Jaz Carlin (8m18,15s).

Desde que chegou a Kazan (Rússia) e se fez à água, Katie Ledecky, 18 anos, nascida em Washington, tem sido o centro das atenções. Seja porque ninguém esperava vê-la em tão excelente forma, apesar de vários triunfos passados (em 2012 venceu a medalha de ouro nos 800m livres nos Jogos Olímpicos de Londres, única prova em que estava inscrita, ela que tinha apenas 15 anos e era a mais nova da equipa e da comitiva norte-america, e em 2013 conquistou cinco títulos nos mundiais de Barcelona), seja porque tem batido recordes a torto e a direito, uns atrás dos outros, como se fosse coisa fácil.

Quando bateu a sua própria marca, diz-se que quase por acidente, nas eliminatórias dos 1500m livres, disse que tinha sido, provavelmente, "o recorde mais cool" da sua carreira. Escusado será dizer que na final voltou a superar a sua marca, com o tempo de 15m25,48s.

A Ledecky, de facto, as coisas não podiam estar a correr melhor. Conquistou o ouro nos 200m, 400m, 800m e 1500m livres (feito que nenhum outro nadador havia conseguido numa só edição dos Mundiais), bem como na estafeta de 4x200m livres. "Não sou capaz de abrandar em nenhuma prova", disse numa entrevista, como se isso não fosse já óbvio.

Tem sido comparada a outros atletas, aos grandes. Frank Busch, treinador há 35 anos, disse que nunca viu ninguém como Ledecky, essa "força rara da natureza", quase bizarra, como sugere a palavra a que recorre, superior a todos, provavelmente até a Michael Phelps, e Dick Jochums comparou-a ao atleta que treinou durante anos, o medalhado Tim Shaw, que tem "talento", é verdade, mas um talento que vem da capacidade de trabalho, ao contrário de Ledecky, que nada como se a água fosse sua, e não se importasse de a ceder às vezes aos outros.

Katie Ledecky é, sabe-se, a menina-prodígio de quem tudo se espera agora, mas muito já fez ela, ao fazer história nesta edição do Campeonato do Mundo de Kazan.