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Há que estar atento a isto: Valencia-Mónaco, duelo de portugueses na Champions

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Sorteio do playoff ditou o encontro. Jardim ou Nuno, um deles terá desencantos no início de época. Fomos ver o que os aproxima e o que os separa

De onde vêm

Leonardo Jardim. Depois de uma época bastante conseguida ao serviço do Sporting (acabou em 2º lugar, lutando pelo título com o Benfica até ao final), foi contratado para treinar o Mónaco. Na primeira época (e com muito menos recursos do que inicialmente seria previsto) conseguiu levar o Mónaco até aos quartos de final da Champions, deixando pelo caminho o Arsenal de Arsène Wenger e ficando em 1º lugar de um grupo onde havia Benfica, Zenit e Bayer Leverkusen. No campeonato, a campanha também foi positiva, com o Mónaco a terminar na 3ª posição.

Nuno Espírito Santo. Foi para o Valencia, depois de uma boa época ao serviço do Rio Ave, pela mão do empresário Jorge Mendes. Na época de estreia em Espanha, o presidente Peter Lim investiu forte na construção do plantel, com a chegada de jogadores como Álvaro Negredo, do Manchester City, e de outros da liga portuguesa, como Otamendi (mas com escala no Brasil), Rodrigo, André Gomes, Cancelo ou Enzo. Conseguiu o 4º lugar (ou seja, cumpriu os serviços mínimos), mas seria difícil fazer melhor - à frente havia Atlético de Madrid, Real e Barcelona. A boa época do Valencia destaca-se pela qualidade de futebol apresentado, algo sempre difícil quando se sofre uma revolução tão grande no plantel.

O que lhes deram

Mónaco. Leonardo Jardim chegou ao Mónaco com um plantel de luxo e com um projeto para ser campeão, mas os planos alteraram-se, as metas foram redefinidas e os jogadores de luxo (e com salários elevados) abandonaram o clube (casos de Falcao ou James) e a aposta passou a ser feitas nos jovens. O Mónaco tem agora projeto de futuro assente em jovens valores, mas que permitem ao clube ser competitivo, como é o caso de Bernardo Silva ou mais recentemente Ivan Cavaleiro e Hélder Costa. É portanto uma equipa que joga sobretudo em contra-ataque, mas que já mostrou que se sente cómoda nesse papel, mesmo quando joga com adversários teoricamente superiores: foi assim quando eliminou o Arsenal e também contra a Juventus (numa eliminatória que ficou 1-0 no total das duas mãos).

Valencia. A haver um favorito é o clube espanhol. O forte investimento feito por Peter Lim na última época e nesta pré-temporada fazem com que o Valência acabe por ser considerado (pelo menos no papel) favorito, não só pelo facto de ser cabeça de série, mas pelas soluções (que também podem sair do banco) que o seu plantel apresenta. É verdade que a tarefa não se adivinha fácil, mas será um rude golpe para o Valencia e Nuno Espirito Santo se a equipa falhar a qualificação para a fase de grupos da Champions, objetivo assumido como primordial desde a temporada passada. Mas isto é tudo teoria. Na prática teremos de esperar pelos dias 18 ou 19 (primeira mão) e 25 ou 26 de agosto (segunda) para saber quem de facto será mais forte.

O que os une

Apesar de as armas serem diferentes, Mónaco e Valencia têm um objetivo a prazo comum: o regresso a tempos áureos - interna e externamente. O Mónaco esteve durante muito tempo afastado da maior competição europeia de clubes, passando um período de crise depois de ter atingido a final da Liga dos Campeões, em 2004, caindo aos pés do Porto. Esta crise atingiu o seu pico em 2011, ano em que desceu de divisão.

Já o Valencia, apesar de não ter descido de divisão, já há muito tempo que não tinha uma equipa com o nível daquela que se sagrou campeã em 2001/2002 - e que tinha duas finais da Champions (ambas perdidas, em 2000 com o Real e em 2001 com o Bayern). Esta nova aposta em jogadores de tarimba internacional visa o regresso a esse passado competitivo.

E o que há ainda em comum entre Nuno e Jardim? Ambos têm patrões milionários, Peter Lim em Espanha e Dmitry Rybolovlev no principado, que têm impulsos gastadores (embora o russo que manda no Mónaco já teve épocas mais extravagantes que a atual).