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Pré-temporada: um Benfica perdedor e um Sporting ganhador. Vale o quê?

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José Sena Goulão / Lusa

Se as imagens dos últimos jogos contarem, o Sporting estará mais confiante do que o bicampeão nacional para a decisão da Supertaça. Mas isso vale o que vale

A derrota com uma quase-goleada (0-3 diante os mexicanos do Monterrey no último jogo da digressão de pré-temporada do Benfica pelo continente norte-americano terá deixado treinadores, jogadores, responsáveis e adeptos do clube de pé-atrás quanto à real valia do campeão neste momento e sobre a capacidade de resposta do onze que o técnico Rui Vitória montar no primeiro jogo oficial da temporada. Que é já no domingo, no Algarve, frente ao Sporting, na decisão da Supertaça, troféu que assinalada o arranque da nova época.

Em cinco jogos disputados durante a preparação de início de época, o Benfica somou três derrotas (Paris Saint-Germain, 2-3, New York Red Bulls, 1-2, e Monterrey, 0-3) e dois empates (ambos 0-0, com Fiorentina e o Club América, do México, embora acabasse derrotado nas grandes penalidades). Sucede que a derrota mais avolumada foi precisamente a última e ao que parece a imagem deixada em campo não destoou dos jogos anteriores. Daí as reticências e o falatório sobre a condição em que o Benfica vai apresentar-se no Estádio do Algarve.

Rivera festeja um dos golos com que o Monterry venceu o Benfica para ganhar a primeira edição estrangeira da Eusébio Cup

Rivera festeja um dos golos com que o Monterry venceu o Benfica para ganhar a primeira edição estrangeira da Eusébio Cup

Miguel Sierra / EPA

Sucede que do lado oposto vai estar o Sporting, que depois de sete anos sem vitórias em competições nacionais venceu a Taça e agora está de volta à luta por uma Supertaça. Quando ganhou no Jamor, o leão era treinado por Marco Silva, que se sabia estar de saída pelo confronto latente com o presidente Bruno de Carvalho, e agora apresenta-se às ordens de Jorge Jesus, que surpreendentemente, ou talvez não, trocou a Luz por Alvalade.

O regresso do leão Jesus à sua antiga morada parece ter transfigurado as ambições das gentes sportinguistas, direção incluída, que num ápice passaram de espectadores (mais ou menos) resignados ao domínio de Benfica e FC Porto a emblema determinado a quebrar os ciclos dos anos recentes.

Se as imagens que ficam mais presentes quase sempre são as últimas, à derrota encarnada da última madrugada, na primeira vez que o Benfica levou para o estrangeiro a disputa da Eusébio Cup, o Sporting contrapõe aquela que terá sido a exibição mais convincente dos sete jogos efetuados.

O Sporting fechou a pré-temporada com uma vitória sobre a Roma e conquistou o Troféu Cinco Violinos

O Sporting fechou a pré-temporada com uma vitória sobre a Roma e conquistou o Troféu Cinco Violinos

José Sena Goulão / Lusa

Manda a verdade que se diga que as três primeiras partidas dos leões quase não contam, pois foram disputadas à porta fechada e perante adversários de menor valia (3-0 ao Sporting B, 3-1 ao Mafra e 5-0 ao Atlético). Os jogos a sério só começaram na deslocação à África do Sul, com um uma igualdade (2-2 com o Ajax Cape Town, com desempate favorável nos penáltis) e uma vitória (2-0 ao Crystal Palace) na decisão do Torneio Cidade do Cabo. Finalmente, no último sábado, o triunfo no Troféu Cinco Violinos, com a vitória (2-0) sobre os italianos da Roma, e uma exibição segura perante adversário de monta.

Aqui chegados, retomemos o fio à meada sobre os últimos acontecimentos: um Benfica perdedor e um Sporting ganhador. Vale o quê? Isso é o que se vai ver.

O campeão não esconde: “A prioridade assumida por todos é o tri”, diz o presidente Luís Filipe Vieira, salientando que “90% da equipa bicampeã” se mantém inalterada.

Até agora só saíram Maxi e Lima, dois titulares quase absolutos das últimas épocas, e o trabalho do treinador Rui Vitória não tardará a surgir, acredita Vieira, que fala assim: “Sinceramente, [Rui Vitória] está num patamar acima daquilo que esperava e creio que vamos poder ver isso dentro de campo”.

Em Alvalade, arrumada a casa depois de dois anos de poupanças, o leão está determinado em ir à luta. As contratações privilegiaram a experiência, a euforia tem tomado conta de alguns comentários, mas Jesus não alinha no coro: “O Benfica é favorito para a Supertaça. Tem equipa que foi trabalhada seis anos, joga de olhos fechados”.