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O presidente Proença, que tem nove causas e acredita que o futebol português vai “dar certo”

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Fernando Veludo / Lusa

Venceu as eleições para a Liga na terça, tornou-se presidente em exercício na quinta. Pedro Proença, que sucede a Luís Duque, acredita que o futebol português pode chegar onde ele chegou como árbitro: ao topo do mundo. Mas o diagnóstico que faz do momento atual é duro

No discurso de tomada de posse como presidente da Liga de Clubes, Pedro Proença traçou as grandes linhas de atuação: “definir um plano estratégico para a Liga; aumentar a competitividade; definir um modelo justo, transparente e equitativo de distribuição de receitas; e gerar mais valor para os stakeholders.” E ainda: “introduzir novas tecnologias; criar um modelo baseado na meritocracia e competência; adotar as práticas de sucesso das principais ligas europeias; rentabilizar as várias vertentes do espetáculo e atrair mais público e mais patrocínios”.

E para que daqui a quatro anos se possa dizer que estes objetivos foram alcançados, apelou à união: “Somos e seremos capazes de enfrentar, juntos, este desafio. Através do diálogo e da cooperação, começaremos a tarefa de criar uma nova Liga de Clubes”.

O antigo árbitro, que venceu as eleições para a associação que organiza os campeonatos profissionais de futebol com 58% dos votos, começou por se apresentar “humildemente” e agradecer ao seu antecessor, Luís Duque, “a graciosidade que demonstrou durante esta transição”. Fê-lo na presença de Bruno de Carvalho, presidente do Sporting e de Pinto da Costa, o homem-forte do FC Porto, mas também de Hermínio Loureiro e Valentim Loureiro, antigos presidentes da liga. Do Benfica é que não estava ninguém na sala.

Pedro Proença reconheceu ainda que o futebol português atravessa “um período sensível, dada a inexistência de um modelo competitivo voltado para o negócio, de um ‘business plan’ a médio e longo prazo e dada a incapacidade em atrair público e parceiros”.

“Estes são indicadores de crise. Menos mensurável em termos quantitativos, mas não menos profunda, é a perda de credibilidade no nosso futebol. Hoje, afirmo sem qualquer pudor que os desafios que enfrentamos são reais e não serão solucionados facilmente, nem num curto espaço de tempo. Mas asseguro-vos que esta direção tudo fará para resolvê-los”, acrescentou o antigo árbitro, que na terça-feira, dia das eleições, também prometeu que iria ser o presidente de todos os clubes.

O diagnóstico complicado que traçou não o impede, no entanto, de considerar que a liga portuguesa continua a ser “uma das mais competitivas” da Europa e do Mundo. “Temos os melhores jogadores do mundo, treinadores de mérito reconhecido internacionalmente, árbitros de craveira mundial, dirigentes competentes, empresários desportivos bem-sucedidos. Temos tudo para dar certo.”