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Proença e Duque. Há uma Liga que os separa

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Pedro Proença e Luís Duque: um destes dois porá a mão no futebol profissional FOTOS NUNO BOTELHO E LUSA

NUNO BOTELHO E LUSA

A poucas horas das eleições, Pedro Proença e Luís Duque procuram apoios. O ex-árbitro conseguiu o do empresário Joaquim Oliveira, que não é um clube mas vale por muitos, tal a influência que tem sobre muitos deles

Os 42 clubes filiados na Liga Profissional vão a votos esta terça-feira (das 14h30 às 17h30) para escolherem o líder da Liga para os próximos três anos. São dois os candidatos: Luís Duque, o presidente atual, e Pedro Proença, o antigo árbitro. A eleição será feita assim: cada clube da primeira liga tem direito a dois votos (são 18); no escalão secundário, é um voto por cabeça (são 24).

A hora é de contar com quem se conta e a contabilidade peca por defeito - até à última, tudo pode mudar porque, na bola, o sentido de voto é uma estrada com dois sentidos. Mas vamos lá.

Quem está com eles

Ao que o Expresso apurou, Luís Duque tem garantidos oito apoios: Benfica (2 votos), Sporting de Braga (2), Boavista (2), Tondela (2), Oriental (1), Farense (1), Desportivo das Aves (1) e Famalicão (1). Do lado de Proença, as coisas estão assim: FC Porto (2), Sporting (2), Estoril (2), Moreirense (2), Marítimo (2) e União da Madeira (2); e Joaquim Oliveira, que não é um clube mas vale por muitos, tal a influência que tem junto destes, sobretudo na II Liga, onde a sobrevivência depende do que chega da Olivedesportos. “Oliveira será um parceiro de excelência” de Proença, disseram ao Expresso.

E o que eles prometem

Nove meses depois de Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira terem escolhido o trunfo Luís Duque para pôr ordem nas caóticas contas da Liga herdadas de Mário Figueiredo, o FC Porto tirou o tapete ao ex-dirigente do Sporting para aliar-se à candidatura de Pedro Proença, o melhor árbitro do mundo em 2012, administrador de duas empresas com 150 funcionários - a Fanamol, de fabrico de molas, e a Natura Verde, de gestão de resíduos.

Sem o apoio do clube do coração, Duque recandidata-se apostando numa estratégia de continuidade, nos méritos de pacificador e nos créditos de ter apadrinhado a Liga NOS, após meia época sem patrocinador. Mais recentemente negociou com os CTT o patrocínio na Taça da Liga, revelando agora como cartada maior um possível entendimento com empresas chinesas dispostas a investirem na II Liga.

Mais ambicioso apresenta-se o candidato Pedro Proença, que ao contrário da Lista A não irá concorrer à Assembleia Geral e ao Conselho Fiscal da Liga. Num dossiê de 28 páginas, sob o lema “Credibilizar a Liga, criar valor e internacionalizar”, o ex-árbitro avança com mudanças estruturais no modelo de gestão do futebol profissional em Portugal e ainda na arbitragem, setor que advoga deva ser gerido por uma empresa independente, com a comparticipação da Liga e FPF.

Numa atividade que conhece a fundo, o ex-árbitro defende que a remuneração não deve ser por critério único o escalão mas o mérito profissional, o desempenho individual e a experiência. Ainda no campo da avaliação, Proença preconiza a introdução da avaliação por vídeo e afirma-se contrário ao sorteio dos árbitros, método aprovado recentemente pelos clubes da Liga mas chumbado no passado sábado, na assembleia Geral da FPF.

Bilhética online e acesso desmaterializado em todos os estádios, criação de conteúdos exclusivos para uma futura Liga TV, introdução no calendário competitivo do inglês Boxing Day, a 26 de dezembro como acontece mo campeonato britânico, alteração de horários de jogos são outras das inovações prometidas pelo intrépido Proença aos clubes. Outra das cerejas do árbitro que pendurou de mote próprio o apito em janeiro, por entender que tinha chegado ao seu “break even point”, é a disputa futura de uma Liga Ibérica, competição que visa “produzir mais espetáculo, atrair mais público aos estádios e, com isso, gerar mais receitas, mais reputação e mais valor” para o futebol nacional.

Ao Expresso, Pedro Proença refere que a ideia passa por uma competição curta, cujos participantes “serão os melhores classificados na Liga portuguesa e a espanhola” e que ocuparia parte da temporada que esteja em competição. “É um modelo a equacionar dentro das possibilidades e em estreita parceria com a Liga espanhola”.

Num ponto, Luís Duque, que critica o rival por chegar com nove meses de atraso, e Proença estão de acordo: na necessária centralização dos direitos televisivos, um sistema mais rentável para todos os clubes.

[Texto publicado originalmente no Expresso Diário de 27 de julho]