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Pedro Proença promete ser o presidente de todos os clubes

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Fernando Veludo/ Lusa

Numa curta declaração após ter sido eleito presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional com 58% dos votos, o ex-árbitro diz ter agora como desígnio unir todos os clubes num projeto de futuro mais rentável e competitivo

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Pedro Proença vai tomar posse como novo líder do futebol profissional português na próxima quinta-feira, após ter gizado uma ambiciosa candidatura em contrarelógio em menos de um mês. Numas eleições muito renhidas até ao fim, o mais prestigiado árbitro internacional português acabou por levar a melhor sobre o Luís Duque, que ainda há duas semanas recolheu os apoios da quase totalidade dos clubes para se recandidatar.

Numa declaração contida, duas horas após a contagem dos votos e sem direito a espaço para perguntas e respostas, Proença começou por agradecer a Duque e aos clubes a forma digna como participaram nestas eleições, além da confiança depositada no seu projeto. O gestor de empresas que há meia dúzia de meses abandonou a arbitragem acredita que "hoje se abre um novo capítulo de esperança para a Liga", frisando que não encara a sua escolha como uma vitória pessoal mas de todos os clubes e do futebol português.

Proença lembrou ainda os valores que defendeu ao longo da campanha, assente no lema credibilizar, criar valor e internacionalizar. "Apresentamos uma candidatura de projeto, uma candidatura para potenciar uma Liga mais forte e competitiva e mais rentável para os clubes e que seja sinónimo de credibilidade, profissionalismo e rigor", frisou, prometendo ainda potenciar o valor da marca futebol português.

Mais uma vez, o líder da Liga para o próximo quadriénio repetiu que quer importar para os clubes portugueses os modelos de sucesso das principais ligas europeias, estratégia que diz necessitar da convergência de todos os clubes, sem exceção, para solucionar os problemas do futebol profissional e garantir mais receitas.

Rendimento mínimo garantido

Em périplo pelos clubes do norte há três dias, Proença garantiu no dossiê de candidatura que pretende implementar um rendimento mínimo de 500 mil euros para as equipas da II Liga, comprometendo-se ainda a avançar para a centralização dos direitos televisivos, proposta já defendida pelo deposto ex-presidente da Liga, Mário Figueiredo, mas que nunca saiu da gaveta.

A criação de uma Liga Ibérica e a disputa da final da Taça da Liga no estrangeiro, cujo vencedor advoga deva apurar-se para as competições europeias, são outras reformas de fundo que pretende introduzir no universo do futebol português, tradicionalmente avesso a grandes mudanças. O futuro dirá até que ponto as intenções do novo presidente da Liga concretizáveis a curto e médio prazo, dado tratarem-se de inovações competitivas que requerem a aprovação da Assembleia Geral Federação Portuguesa de Futebol.

Luís Duque, que optou por uma candidatura prudente, quase sem promessas à exceção do anúncio do possível interesse de parceiros chineses em investir no futebol português, não adiantou uma explicação plausível para a alteração do sentido de voto dos clubes e consequente derrota nas urnas. "Os dirigentes é poderão dizer o que mudou entretanto" , atirou o presidente cessante da Liga após o ato eleitoral, lamentando alguns ataques pessoais que lhe foram dirigidos nos últimos dias por parte de Pinto da Costa e atribuídos "excitações próprias da época".