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Coincidência ou punição? Hulk já não vai ao sorteio da FIFA e está criado um caso

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STRINGER / Reuters

Futebolista do Zenit tinha sido convidado pela FIFA para ajudar no sorteio do Mundial 2018, que se realiza este sábado na Rússia. Mas foi descartado. Especula-se que foi por uma entrevista que deu e na qual fazia considerações sobre racismo na Rússia. Federação local desmente que assim seja e remete a ausência de Hulk para uma decisão de André Villas-Boas

“Acontece-me isto em todos os jogos. Os árbitros fingem que não veem. Agora já não fico chateado, simplesmente mando um beijo para os adeptos.” Assim falou Hulk, jogador do Zenit São Petersburgo, numa entrevista esta quarta-feira à TVT brasileira, onde não escondeu temer que situações idênticas possam repetir-se no próximo Mundial de futebol, agendado para 2018 na Rússia.

Por ser uma das estrelas maiores do novo campeão de futebol russo, o antigo craque do FC Porto aceitou ser um dos muitos jogadores assistentes do sorteio da fase de qualificação do Mundial, que se realiza este sábado precisamente em São Petersburgo. Mas isso foi muito antes do convite da FIFA, que esta sexta-feira comunicou ter decidido retirá-lo da tarefa de tirar bolinhas de um pote e substituí-lo pelo antigo capitão da seleção russa Alexei Smertin. Simples coincidência ou algo mais?

Esta sexta-feira, a FIFA apressou-se a vir a terreiro dizer que a mudança foi motivada por “compromissos [de Hulk] com o clube”, nomeadamente o jogo que o Zenit vai disputar este domingo fora de casa em Ekaterinburgo, a cerca de 2200 quilómetros de São Petersburgo, para um jogo do campeonato russo, que já decorre.

O diretor do comité organizador local, Alexeï Sorokine, desmente formalmente que a alteração tenha sido motivada pelos reparos feitos pelo brasileiro e sublinha que a decisão é da única responsabilidade do treinador do Zenit, o português André Villas-Boas, que não prescinde do avançado para este encontro.

A entrevista dada por Hulk acontece depois de na semana passada o médio ganês Emmanuel Frimpong, jogador do FC Ufa, ter sido expulso de um jogo do mesmo campeonato após reagir aos insultos racistas vindos da bancada dos adeptos da equipa adversária, o Spartak de Moscovo.

Hulk comentou este incidente na entrevista que deu, afirmando que “o pior de tudo é o facto do clube de Frimpong nem sequer ter recorrido contra o Spartak, para não pôr em causa a boa relação das instituições”. Esta é uma realidade - a do racismo - que o brasileiro confessa ter de enfrentar em “quase todos os jogos”, mas pela qual já não se deixa incomodar: “Pessoas sem carácter como essas não merecem que eu fique chateado”, explica o ex-portista, adiantando que, quando se deixava afetar, isso prejudicava o seu rendimento dentro de campo.