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Proença avança para a Liga, Duque contra-ataca. “Sei que é a Liga NOS, mas a candidatura de Proença é só eu, eu”

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Nove meses depois de ter pacificado a Liga de Clubes sem o apoio do seu clube, Luís Duque recandidata-se à presidência da Liga. O rival Proença, o melhor árbitro português de sempre, promete dar luta mesmo sem ter o apoio do Benfica, o emblema do coração

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O futebol é um mundo estranho. Num lapso de nove meses, Luís Duque passou de desejado a mal amado por Pinto da Costa, o dirigente que em negociações em novembro, mais ou menos secretas, lançou com o rival Luís Filipe Vieira a candidatura vitoriosa do sportinguista Luís Duque à liderança da Liga de Clubes. O ex-dirigente dos leões, renegado por Bruno de Carvalho, uniu durante a época finda a maioria dos clubes, contratualizou a NOS para patrocinar a I Liga e os CTT para a Taça da Liga, mas pelo menos para o FC Porto, que culpa a arbitragem pela perda do campeonato, o atual presidente da Liga ficou aquém das expectativas na tarefa de moralizar.

Luís Duque, esta quinta-feira de manhã, último dia da corrida à presidência da Liga, entregou no Porto a sua candidatura às eleições de 28 de julho, tendo por fiéis aliados o Benfica e Sporting de Braga. Ao contrário de Pedro Proença, irá concorrer a todos os órgãos da Liga, embora os regulamentos não o exijam. Para o presidente em exercício, a candidatura do ex-árbitro internacional vem atrasada nove meses, avançando que o organismo é hoje "uma entidade credível e estabilizada financeiramente".

A principal crítica ao adversário de Duque é, contudo, em torno do discurso de Pedro Proença, "muito centrada" em si próprio. “Eu sei que é a Liga NOS, mas a candidatura de Proença é só eu, eu, eu", afirma.

Desde segunda-feira em Coimbra, local de partida e chegada de uma ronda pelos clubes do Norte e Centro do país, Pedro Proença apresentou também esta quinta-feira de manhã, em conferência de imprensa, as bases da sua candidatura. Convicto de que reúne apoios suficientes para suceder a Luís Duque, o árbitro que arrumou o apito após o último mundial por ter chegado ao seu "break even point" quer voltar, agora como líder do futebol profissional português.

As ideias de Proença

No Hotel da Quinta das Lágrimas, perante as câmaras de televisão, de fato cinza e gravata às riscas pretas e brancas, talvez para homenagear as cores cidade da Briosa, que não beliscam qualquer dos grandes, Pedro Proença optou por oficializar a corrida à Liga carregando na tecla de uma candidatura independente, sem nunca aludir ao nome de qualquer clube ou apoiante. O gestor de empresas de profissão fez questão de referir que esteve em contacto com todos os intervenientes do futebol português, dos dirigentes de clubes à associação de árbitros, passando pelos treinadores e ainda pelo Sindicato dos Jogadores.

Questionado sobre se falou com Luís Filipe Vieira, que diz que há meses que o ex-internacional o tenta contactar mas a quem tem recusado qualquer aproximação, o pretendente à cadeira da Liga chutou para canto: "Falei com toda a gente que quis ouvir-me e falar comigo".

Sem nunca aludir ao rival Luís Duque, referiu que não se candidata contra ninguém, que não quer olhar para trás, nem seguir uma estratégia de terra queimada. Como principal trunfo adianta o seu currículo na arbitragem, equidistante dos clubes, a sua independência e ainda a sua carreira profissional longe dos relvados.

No currículo entregue à comunicação social, Proença apresenta-se como proprietário e gestor de duas empresas com mais de 100 funcionários, a Fanamol (fabrico e comercialização de molas) e a Natura Verde (gestão de de Resíduos Lda, com sede em Leiria). Está ainda desde 2003 inscrito na lista oficial dos administradores de insolvências, colaborando na resolução de processos de insolvência, dando apoio técnico a magistrados em comarcas de todo o país. Uma experiência não negligenciável no universo do futebol português, sistematicamente com contas no vermelho.

Aos 44 anos, meticuloso e organizado, como se refere a si próprio, Proença entregou esta quinta-feira um longo dossier dos seus planos de negócios e áreas que quer implementar na nova Liga de forma a aumentar as receitas e credibilizar o organismo junto do mercado internacional. Além de se propor a garantir a sustentabilidade da Liga e dos clubes, adotando práticas de sucesso das principais ligas europeias, o árbitro eleito o melhor do século pela FPF defende também a centralização dos direitos televisivos, tal como Duque e o antecessor caído em desgraça, Mário Figueiredo, uma intenção que teima em não sair da gaveta.

Proença quer ainda implementar um rendimento mínimo garantido de 500 mil euros para a II Liga, a quem quer assegurar um naming, à semelhança da I Liga. Regulamentar as apostas online, outra das metas fracassadas dos líderes anteriores da Liga, criação de uma Liga Ibérica e a implementação da verdade desportiva através da "Goal Line Technology" são outras das ambiciosas apostas a que se propõe o candidato a primeiro dirigente vindo do causticado mundo da arbitragem.