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A nova pele de Casillas

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JOSE COELHO/EPA

O jornalista António Reis está na Holanda, onde o FC Porto faz o estágio de pré-época, e conta como têm sido os primeiros dias do espanhol Iker Casillas de dragão ao peito

O novo dono da baliza do FC Porto surge entre os postes com dois objectivos concretos: deixar de ser notícia e voltar a exibir-se a um nível bastante elevado. Quanto ao primeiro, nada ou quase nada a fazer. O homem traz consigo a lenda. A lenda faz dos sítios por onde passa um acontecimento. Na chegada ao Parkhotel nem os novos colegas de equipa resistiram ao efeito Casillas. Vários assomaram às janelas do último andar e por lá ficaram a espreitar como se precisassem de ter a verdade dos factos diante dos olhos, antes de ela entrar pela porta do hotel depois abraçar Julen Lopetegui, pusesse um equipamento azul e fosse, por fim, dragão como eles.

Quem conhece Iker Casillas, a sua personalidade e a sua condição desportiva, não tem dúvidas. O futuro tem espaço para ser um lugar melhor do que as últimas épocas. A palavra-chave que pode abrir a porta e deixar entrar dias felizes é confiança. Confiança é uma questão de tempo, mas não uma questão de um tempo qualquer. No Porto Casillas está rodeado de gente que acredita até ao limite nas suas capacidades. Colocou o instante de uma mudança sem precedentes nas mãos de um antigo guarda-redes, Julen Lopetegui, treinador que pegara no telefone e fizera o convite. Iker falou com Sara Carbonero e com o empresário Carlo Cutropia. Disse sim ao Porto. Nunca tinha sido transferido. Sofreu durante as negociações. Os advogados entraram em ação num triângulo de complicações entre o Porto, Madrid e os Estados Unidos, onde se encontrava o diretor-geral do Real, agarrado ao correio electrónico, até que chegou a mensagem com liberdade dentro do texto.

Casillas foi jantar com amigos. Gente da política espanhola e do desporto, um cantor, jornalistas e os amigos que não pertencem ao lado público do mundo. Partilharam momentos íntimos. Mostraram um vídeo com entrevistas de Iker na infância e ele muito tranquilo a ver quem foi antes de chegar ao Porto.

JOSÉ COELHO/EPA

Dragão como eles

Pela primeira vez em 25 anos o emblema que as camisolas vestem por cima do peito é um emblema diferente.

Nestes primeiros dias de FC Porto, o que mais impressiona quem o conhece é o sentido de observação. Está atento a tudo. Um olhar sereno tiras as medidas ao campo do Wittenhorst, procura entender a nova ordem de todas as coisas, como quem não percebe absolutamente nada de um assunto chamado futebol e está ali a debutar, diante da bola e da vida, com a baliza às costas.

No dia do primeiro treino, quarenta minutos antes da hora marcada para o princípio de Casillas enquanto jogador azul e blanco, os roupeiros cumprem o seu ofício no balneário, os tratadores da relva preparam o tapete, os jornalistas ainda não estão em sentido, os adeptos sabem que é muito cedo e maioria só chega mais tarde. Alguém pedala ao longe. A distância não deixa ver quem lá vem. Mas não deve ser nenhum jogador, falta meia parte de um jogo de futebol para começar o treino. Casillas não tem mais tempo a perder, depois dos as últimas três épocas no Real Madrid. Já em campo de vista, quem pedala tão à frente do pelotão é o primeiro campeão de seleções a representar os dragões. Casillas diz bom dia em português à medida que se vai aproximando do balneário. Já em Espanha dissera Porto em vez de Oporto, como os espanhóis dizem.

JOSÉ COELHO/EPA

O novo dono da baliza do FC Porto surge entre os postes com dois objectivos concretos: deixar de ser notícia e voltar a exibir-se a um nível bastante elevado. Quanto ao primeiro, nada ou quase nada a fazer. O homem traz consigo a lenda. A lenda faz dos sítios por onde passa um acontecimento. Na chegada ao Parkhotel nem os novos colegas de equipa resistiram ao efeito Casillas. Vários assomaram às janelas do último andar e por lá ficaram a espreitar como se precisassem de ter a verdade dos factos diante dos olhos, antes de ela entrar pela porta do hotel depois abraçar Julen Lopetegui, pusesse um equipamento azul e fosse, por fim, dragão como eles.

Quem conhece Iker Casillas, a sua personalidade e a sua condição desportiva, não tem dúvidas. O futuro tem espaço para ser um lugar melhor do que as últimas épocas. A palavra-chave que pode abrir a porta e deixar entrar dias felizes é confiança. Confiança é uma questão de tempo, mas não uma questão de um tempo qualquer. No Porto Casillas está rodeado de gente que acredita até ao limite nas suas capacidades. Colocou o instante de uma mudança sem precedentes nas mãos de um antigo guarda-redes, Julen Lopetegui, treinador que pegara no telefone e fizera o convite. Iker falou com Sara Carbonero e com o empresário Carlo Cutropia. Disse sim ao Porto. Nunca tinha sido transferido. Sofreu durante as negociações. Os advogados entraram em ação num triângulo de complicações entre o Porto, Madrid e os Estados Unidos, onde se encontrava o diretor-geral do Real, agarrado ao correio electrónico, até que chegou a mensagem com liberdade dentro do texto.

Casillas foi jantar com amigos. Gente da política espanhola e do desporto, um cantor, jornalistas e os amigos que não pertencem ao lado público do mundo. Partilharam momentos íntimos. Mostraram um vídeo com entrevistas de Iker na infância e ele muito tranquilo a ver quem foi antes de chegar ao Porto.