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Longe dos tempos de glória, Armstrong regressa às estradas onde já foi feliz

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Reuters

Este ano o Tour vai ter pelo menos um concorrente inesperado. Lance Armstrong está de volta a França para cumprir duas etapas um dia antes dos ciclistas inscritos oficialmente. Tudo em nome da caridade, diz o norte-americano

Lance Armstrong regressa esta quinta-feira aos palcos onde já foi muito feliz. O norte-americano volta a pedalar em algumas das estradas mais simbólicas da Volta à França, mas agora fá-lo em nome de ações de solidariedade.

O antigo profissional, entretanto banido das provas oficiais de ciclismo por uso de doping, cumprirá esta semana as etapas Muret-Rodes e Rodes-Mende, sempre um dia antes do pelotão oficial da Volta a França, procurando angariar fundos para a luta contra a leucemia.

A iniciativa é organizada por uma fundação criada pelo ex-futebolista britânico Geoff Thomas, antigo jogador do Crystal Palace, que venceu uma batalha contra a o cancro. Além de Armstrong, também ele um antigo doente cancerígeno (nos testículos), a corrida conta com cerca de dez outros ciclistas amadores, que em conjunto vão tentar angariar um milhão de libras (cerca de 1,3 milhões de euros).

Ao descobrir a intenção de Armstrong se juntar à corrida paralela, a União Ciclista Internacional avisou-o de que a sua presença não era desejada: “Ele não vai ter as boas-vindas que espera em França”. A entidade que tutela o ciclismo a nível mundial considera a atitude de Armstrong “incorreta e desrespeitosa", pois "existem muitas outras formas que Lance pode promover a caridade.”

O ciclista, por seu turno, não se mostra preocupado com a receção que poderá ter: “As pessoas pensam que tenho uma relação amarga com França. Não é verdade. Gosto de ir lá, amo os franceses.” O norte-americano garante que não vai ser dissuadido de voltar a percorrer alguns dos percursos feitos no passado e que o levaram à obtenção de sete vitórias consecutivas no Tour, entretanto retiradas depois de ter confessado o consumo de doping em todas elas.

De herói a vilão

Poucos ciclistas tiveram uma ascensão tão acentuada como Armstrong: entre os anos de 1999 e 2005, quebrou todos os recordes da mais mediática competição de ciclismo mundial. Mas tal como a subida aos píncaros também a queda foi drástica, quando em janeiro de 2013 se confirmou o que há muito se comentava no bas fond velocipédico.

Depois de muito negar, o ciclista confessou tudo perante Oprah Winfrey: “Sim, usei substâncias ilícitas em todas as minhas sete vitórias na Volta à França”, disse numa gravação do talk show da apresentadora norte-americana.

Caído em desgraça, sem patrocínios, sem fãs e banido pela modalidade, Armstrong continua a correr atrás do estatuto que um dia teve. Tenta manter-se relevante na esfera pública, mas poucos dirão que o norte-americano que agora regressa a França não é mais do que a sombra da lenda de um herói que nunca o foi.