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Perder nos penaltis é uma história que tem barbas

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Carl Recine / Reuters

Portugal foi melhor mas não marcou um golo à Suécia que levou o jogo para a linha dos 11 metros - a linha que separa o Paraíso do Inferno. Acabou-se o Europeu sub 21

Um dia, Bölöni disse que Rui Jorge era o jogador mais inteligente que ele conhecera. E explicou porquê: o bom do Rui não tinha pé direito, não era rápido, cabeceava mal e pulava ainda pior - mas chegara onde chegara. Ao FC Porto. Ao Sporting. E à seleção nacional. E eu lembrei-me disto não por gostar de romenos com o francês afectado de óculos quadrados mas porque precisava de um arranque que fugisse aos trocadilhos com Éden (que é onde Portugal está a jogar) ou aos lugares-comuns dos loiros-altos-e-toscos (que são coisas que dizemos sempre sobre os suecos). E também porque, enfim, estes sub 21 jogam à bola com cabeça. E se assim é, gosto de pensar que é porque o Rui Jorge sempre teve cabeça.

É que estes miúdos chegaram a uma final a jogar sem pontas-de-lança de início e ainda assim marcaram sete golos (ninguém fez mais). É que estes miúdos estão sempre a trocar de lugar, mas por cada um que sai do sítio, há outro que entra e assim se explica que só tenham sofrido um golo (ninguém defendeu melhor). É que estes miúdos aguentam aquelas tardes e noites em que o golinho não entra porque a bola vai ao ferro (Sérgio Oliveira, de livre) ou bate num adversário ou não chega ao colega e náo se vão abaixo. Além de inteligentes são pacientes, palavras que até podem ser sinónimas ainda que, o Gonçalo, que é Paciência, nem sempre espere o que é preciso para rematar à baliza.

Quando Paciência entrou em campo, já se tinham jogado muitos minutos de um jogo em que Portugal estivera sempre com a bolinha no pé-para-pé, a liderar as estatísticas como favorito que era depois de dar 5-0 à Alemanha. É simples de explicar o que aconteceu: os portugueses rodavam, rodopiavam e com isso tentavam desconcertar o armário IKEA de dois decks (são altos) que os suecos puseram um à frente do outro (são toscos) a fazer de muro. O tempo foi passando, as pernas foram-se amassando (William), a cabeça foi-se desconcentrando (Bernardo Silva) e o jogo foi interessando mais a nórdicos do que ibéricos. Aos poucos, a Suécia foi dando àgua pela barba a José Sá (o trocadilho é literal) e quando o prolongamento bateu à porta já uns e outros dividiam os lances de perigo. O cansaço tem destas coisas - nivela tudo. Por baixo.

Os 30 minutos
Tenho cá uma teoria que me diz que o prolongamento é cada vez menos interessante (sim, eu sei, o Portugal-Inglaterra de 2004) e cada vez mais os jogos a doer se decidem nos penáltis. Os 30 minutos que se disputaram entre os 90 e a angústia das grandes penalidades foram melhor para os suecos, que têm mais cabedal, do que para os portugueses,a quem se acabou o combustível. Era tempo de ir para a linha dos 11 metros - a linha que separa o Éden (era inevitável) do Inferno.

William falhou e Portugal caiu aos pés do seu melhor jogador.

OS PENÁLTIS
1-0, Suécia marca
1-1, Portugal marca
2-1, Suécia marca
2-2, Portugal marca
3-2, Suécia marca
3-2, Portugal falha
3-2, Suécia falha
3-3, Portugal marca
4-3, Suécia marca
4-3, Portugal falha