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Neste Euro quem manda é Portugal. E expulsa a Alemanha

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Bernardo Silva tem colecionado elogios neste Europeu

RADEK MICA

Seleção portuguesa esmagou a Alemanha por 5-0 e está na final do Europeu sub-21

Não é fácil descrever a tarde memorável que o futebol português viveu hoje em Olomouc, na República Checa. Mas dá para perceber a dimensão da coisa com isto: ainda mal tinha começado a segunda parte quando Rui Jorge se deu ao luxo de tirar de campo o melhor jogador português (e provavelmente o melhor do Europeu sub-21), Bernardo Silva. Porquê? Porque lhe apeteceu, para o rapaz descansar para a final. É que Portugal já estava, àquela altura, a dar quatro à Alemanha.

Custa a acreditar, sim, mas Portugal hoje qualificou-se para a final do Europeu sub-21 com uma goleada de 5-0 perante a Alemanha. Não é que custe crer na qualidade dos jogadores portugueses, que é muita (já lá vamos), mas por outras duas razões: até agora, Portugal ainda não tinha demonstrado grande eficácia ofensiva no Euro (1-0 à Inglaterra, 0-0 com a Itália e 1-1 com a Suécia) e pela valia dos adversários, cuja formação é reconhecida mundialmente (e que melhorou drasticamente desde aquele humilhante 3-0 de Portugal no Euro 2000, lembra-se?) e que até ganhou o Euro sub-21 em 2009.

A equipa de Rui Jorge entrou em campo disposta no seu habitual 4-4-2 losango, com apenas uma alteração no onze habitual: a entrada de Tobias Figueiredo para o centro da defesa, por lesão de Ilori. Mas a defesa não se ressentiu minimamente da troca (até porque Tobias está mais do que habituado a jogar ao lado de Paulo Oliveira no Sporting) e deu a segurança necessária ao vendaval ofensivo da equipa.

Portugal teve mais bola do que a Alemanha e o que fez com ela deixou os alemães de cabeça à roda. Primeiro foi Sérgio Oliveira a mandar uma bola ao poste, depois de um grande trabalho de Ricardo Pereira, aos 15 minutos. Dez minutos depois, uma tabela de Bernardo Silva com Ivan Cavaleiro permitiu ao extremo do Mónaco entrar na área e marcar o primeiro golo (Jorge Jesus terá visto o jogo?), confirmando as vozes que já dizem (como o jornal espanhol "Marca") que o ex-benfiquista deverá ser considerado o melhor jogador do Euro.

Pela frente dos portugueses estava Ter Stegen, guarda-redes do Barcelona, mas ninguém teve medo do gigante alemão. Nem Bernardo, nem Ricardo Pereira (golo num canto aos 33' - Lopetegui terá visto?), nem Ivan Cavaleiro (golo aos 45', depois de uma assistência de João Mário).

Portugal tinha uma tarde perfeita no ataque e não precisava de se preocupar na defesa, porque estava protegido por Nossa Senhora - aquela que José Sá (o outro esteio português, para além de Bernardo e William) tem tatuada no braço esquerdo. Nem Kimmich, nem Younes conseguiram ultrapassar o guarda-redes barbudo do Marítimo, cujos reflexos já lhe merecem a atenção de clubes estrangeiros.

Se 3-0 ao intervalo já era um resultado que dava pouca margem de manobra à Alemanha (que parecia completamente atordoada pelo que lhe estava a acontecer), pior ainda ficou no primeiro minuto da segunda parte, quando Ricardo assistiu João Mário para o 4-0.

Era mesmo uma tarde para recordar - daquelas com a lei de Murphy ao contrário: corria tudo, tudo bem. Como aos 70', quando Ricardo Horta fez o 5-0, entre três defesas alemães, e garantiu a presença de Portugal na final, algo que já não acontecia desde 1994, quando a geração de ouro perdeu com a Itália no prolongamento.

Ganhe ou perca, terça-feira, perante a Dinamarca ou a Suécia (que disputam a outra meia-final esta noite), esta geração já deixou a sua marca. Roubando as palavras ao poema de Ruy Belo: "o Portugal futuro é" sub-21. Fernando Santos terá visto?