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Auditoria. Sporting contratava empresas de trabalhadores e de conselheiro

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Filipe Soares Franco sucedeu a Dias da Cunha na presidência do Sporting

Alberto Frias

Auditoria à gestão lista contratos duvidosos com fornecedores. Incluindo com empresas de pessoas que trabalhavam no Sporting. Há um caso de um membro do Conselho Leonino

Contratos que “não foram reduzidos a escrito”, dos quais se “desconhece a que título foi feito o pagamento”, sem “propostas concorrentes para a prestação dos mesmos serviços” e “bonificações atribuídas sem enquadramento contratual”. No mandato de Soares Franco, que mereceu um capítulo específico da auditoria, são identificadas irregularidades na contratação de serviços a fornecedores. De 2005 a 2009, o fornecimento de bens e serviços movimentou 76,2 milhões de euros.

A auditoria analisa em especial seis “contratos relevantes”, que têm um impacto global de quatro milhões de euros. O problema começa logo na palavra contrato: apenas dois dos seis foram redigidos. Dos outros não há sequer documentos. Em causa estão acordos com a New Next Moves, a Phedra Sport, a Hipostadium, a Care, com Pierre Debourdeau e com a Casa do Marquês.

O maior dos contratos foi estabelecido com a Casa do Marquês, empresa de catering e que explora espaços de refeição no Estádio José Alvalade. Entre custos não contratualizados, renegociação de contrato e aumento dos preços do catering somam mais de 3,275 milhões de euros. Um dos administradores da Casa do Marquês é José Eduardo Sampaio, ex-jogador do Sporting e membro do Conselho Leonino eleito em 2011.

As relações contratuais dúbias com prestadores de serviços também têm modalidades diversas. Há colaboradores dispensados, indemnizados e recontratados, como Pedro Batalha Reis: após ter sido dispensado do Sporting, uma empresa de que ele é sócio único, a Hipostadium, foi contratada. Execução do contrato: 100 mil euros.

Noutro fornecedor, “parte dos funcionários que prestavam serviço por conta da Care tinham vínculo contratual com o Sporting”, sendo que “os pagamentos ao pessoal eram realizados diretamente com o dinheiro da bilheteira”: o dinheiro era pago por “baixo da mesa”, evitando o pagamento de impostos. O Sporting pagou à empresa 930 mil euros.

No caso de Pierre Debourdeau, o Sporting pagou 62 mil euros mas “não foi obtida evidência dos serviços prestados”.

E com a Phedra Sport houve pagamentos devidos mas não reclamados: uma indemnização de cem mil euros por incumprimento relativo ao jogo particular com o Hertha de Berlin, que não chegou a acontecer.