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Auditoria denuncia negócios "questionáveis" do Sporting com agentes e fundos

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Vukcevic multado pela SAD do Sporting

Armando França/AP

Agentes e fundos de investimento receberam no passado comissões acima dos valores normais de mercado por vendas, transferências e empréstimos com jogadores com o Sporting

A política do Sporting para o futebol é apostar na formação interna para reduzir investimentos, mas a auditoria à gestão anterior do clube, encomendada por Bruno de Carvalho (que o Expresso revela na edição deste sábado nas bancas), aponta despesas consideradas exageradas nas comissões de agentes, nos contratos de direitos de imagem dos atletas e nas negociações com os fundos de investimento.

Em 21 compras, vendas e empréstimos registados são assinalados dez casos em que o montante das comissões pago aos agentes "se encontra acima do valor de mercado".

Se a percentagem de uma intermediação deveria rondar os 10%, há alguns negócios em que o valor é superior, como nas compras de Ricardo Batista (28,1%), Farnerud (18,9%) e Carlos Paredes (16,7%) e nos empréstimos de William Owuso (19,8%) e Gladstone (15,9%). Mais: nos negócios de Rodrigo Tiui, Simon Vukcevic, Rabiu Ibrahim, Leandro Grimi e Marian Had não havia sequer contratos escritos de representação (apesar de as comissões terem sido pagas), o que pode significar a nulidade dos mesmos.

A auditoria também questiona a celebração de oito contratos de direitos de imagem, no valor de 6,2 milhões de euros, "que já haviam sido, pelo menos em parte, cedidos pelos respetivos jogadores aquando da assinatura do contrato de trabalho desportivo", explicando que a sobreposição parcial injustificada foi "um gasto manifestamente excessivo".

O resgate dos direitos económicos de seis jogadores a fundos de investimento também é questionado devido à forma de pagamento: ações da SAD valorizadas ao preço unitário de 2 euros, quando, à data do acordo (15 de outubro de 2007), o valor das ações era de 2,35 euros. Ou seja, o Sporting ficou a perder 570 mil euros na transação, para além de também ter tido prejuízo na recompra dos direitos de João Moutinho (vendidos por 350 mil euros e recuperados por 890 mil) e de Yannick Djaló (vendidos por 460 mil euros e recuperados por 640 mil euros).

Em relação à gestão de recursos humanos, o documento também não aprova os gastos "superiores à prática de mercado" no pagamento de compensações relativas à revogação de contratos de trabalho e questiona o facto de as remunerações atribuídas aos administradores não terem sido aprovadas por nenhum órgão competente (nem em Assembleia Geral nem por uma Comissão de Vencimentos), o que determina a nulidade do pagamento.