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Blatter recusa sair já da FIFA

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Blatter sai da FIFA pela porta do fundo (mas não já, porque quer ficar até às eleições) abalado por um escândalo de corrupção que atinge o organismo

FOTO ENNIO LEANZA / EPA

Eleições só devem acontecer no final do ano - ou mesmo no início do próximo. Até lá, e até ver, o suíço continua à frente da FIFA e a ouvir observações duras, como esta: "A FIFA funcionou durante vários anos como uma organização inimputável, opaca e manifestamente corrupta"

O Parlamento Europeu quer Blatter saia já, mas o suíço não quer. Depois de esta quinta-feira os eurodeputados terem votado a substituição imediata do presidente da Federação Internacional de Futebol, Joseph Blatter fez saber que não deixa o cargo sem a realização de novas eleições. 

"A FIFA está perplexa com a resolução do Parlamento Europeu (...). O presidente da FIFA já decidiu abandonar o seu mandato num congresso eletivo extraordinário", disse um porta-voz da organização, citado pela agência Lusa. 

Esta quinta-feira, o Parlamento europeu pediu à FIFA que substitua "imediatamente" Joseph Blatter e que adote reformas para combater a corrupção "generalizada e sistemática". 

"A FIFA funcionou durante vários anos como uma organização inimputável, opaca e manifestamente corrupta", disse o Parlamento.Os eurodeputados apelam para que a escolha de um novo presidente seja "transparente e inclusiva, um líder interino apropriado para substituir imediatamente Joseph Blatter". 

Apesar de se ter demitido, vai continuar na presidência até à realização do congresso extraórdinário, que só deverá acontecer entre dezembro deste ano e março do próximo. 

Blatter é releito, demite-se, mas fica

O escândalo rebentou a 27 de maio, poucos dias antes da realização do congresso da FIFA que resultou na reeleição do próprio Blatter. O mundo acordou com a notícia de que sete altos dirigentes da organização tinham sido detidos num hotel em Zurique, na Suíça. Estão acusados de corrupção. 

Pouco depois, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou nove dirigentes e ex-dirigentes e cinco parceiros da FIFA, acusando-os de associação criminosa e corrupção nos últimos 24 anos. Estão em causa subornos num valor perto de 140 milhões de euros. 

Os Mundiais da Rússia e do Qatar estão no centro da polémica. As suas eleições como países organizadores terão sido manipuladas. Depois destes muitos outros casos começaram a surgir - até a mão de Thierry Henry, no jogo França-Irlanda para o apuramento do mundial de 2010, veio à baila. 

No meio do caos e da polémica, Joseph Blatter, de 79 anos, foi reeleito. Bastaram quatro dias para renunciar ao cargo, mas com uma particularidade: fica até ao próximo ato eleitoral. 

“Vou organizar um congresso extraordinário para eleger um presidente para me substituir. Eu não vou ficar. Agora estou livre das limitações de uma eleição. Vou colocar-me numa posição para me concentrar em reformas profundas. Por muitos anos temos tentado fazer reformas, mas não foi suficiente”, afirmou Blatter quando apresentou a demissão, a 2 de junho. Esta quinta-feira, ficou a saber-se que fica pelo menos até dezembro ou março de 2016.