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Ai Jesus que lá vou eu

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STEVEN GOVERNO / Lusa

O povo benfiquista está em choque, os sportinguistas ainda acabam a buzinar outra vez no Marquês, os portistas perdem aquele que secretamente sempre quiseram. Pedro Santos Guerreiro faz a análise instantânea à contratação de Jorge Jesus pelo Sporting

O primeiro jogo oficial de Jorge Jesus no Sporting há de ser contra o Benfica: a 9 de agosto, na Supertaça. Aqueles que o levaram num andor vão assobiá-lo como um traidor; aqueles que o criticavam pela arrogância, pelo linguajar ou simplesmente pela inveja vão engolir tudo e apoiá-lo. Porque qualquer que seja a leitura, o Sporting contratou o melhor treinador em Portugal. E contratou-o ao Benfica. A Supertaça vai ser um superjogo.

Jorge Jesus nunca foi “Benfica até morrer”. Sempre disse que era um profissional do futebol – e era tão bom profissional que se tornou um dos treinadores mais caros do mundo. E soube encontrar no Benfica um equilíbrio com Luís Filipe Vieira que nunca foi de amizade mas foi de respeito mútuo e trabalho conjunto. Tanto que, na hora do bicampeonato, a discussão era sobre quem era o verdadeiro herói, se um ou se o outro.

Luís Filipe Vieira tinha pois nesta dupla também um duelo de protagonismo. Não é claro, ao contrário do que sucede no FC Porto, quem é o mestre na Luz. No Dragão é Pinto da Costa, que venceu sempre independentemente dos treinadores.

Jorge Jesus poderia ter sido um dos treinadores do FC Porto. Seria esse o desejo secreto de muitos adeptos e chegou a ser várias vezes noticiado que o treinador poderia rumar a norte, para encaixar com Pinto da Costa, com quem tem boa relação. As negociações com o FC Porto nunca foram confirmadas, mas Jesus chegou a ser convidado pelo AC Milan, pelo Valencia e para treinar no Qatar. Nunca, até há poucas semanas, se falara no Sporting. Nem nos sonhos mais loucos de qualquer sportinguista. Nem nos pesadelos mais tenebrosos de qualquer benfiquista.

As primeiras notícias sobre Jesus no Sporting não foram aliás levadas muito a sério. Porquê para o Sporting, que não tem equipa para disputar vitórias numa competição europeia, que é o que falta a Jesus? E com que dinheiro? A verdade é que Bruno de Carvalho, que é sistematicamente subvalorizado até porque parece sempre mais um adepto do que um presidente, conseguiu o que ninguém supunha ser possível. Não se sabe ainda o que teve de ceder para garantir o financiamento, nem como ficará a SAD leonina depois do próximo aumento de capital que se perspetiva, nomeadamente sobre se a relação de poder se altera. Mas Jesus vai para o Sporting.

Jesus já perdeu muito e perdeu mal, já ganhou muito e ganhou bem. Gosta de futebol de ataque e é também por isso que os adeptos enchem estádios para ver as suas equipas. E tem o talento especial de valorizar jogadores, o que faz dele um incubador de grandes negócios para os seus clubes. Não é óbvio que se dê bem com Bruno de Carvalho, que tem um feitiozinho difícil e gosta de mandar em tudo. E é também por isso que a mudança de Jesus é uma mudança de risco. Um risco para ele, mas também para Bruno: com Jesus no Sporting cria-se imediatamente a expectativa de ganhar um campeonato. E de garantir a participação na Champions.

O verão ainda nem começou mas já está encontrado o campeão do defeso: Bruno de Carvalho. Montou um plano para aproveitar os desequilíbrios que se perspetivam no Benfica e no FC Porto, por causa do corte de custos que têm de fazer na próxima época. Como o Sporting já está habituado à míngua, e não precisa de cortar mais. E assim quer realizar o seu sonho, o de voltar a ver o seu clube campeão nacional. Para que o Sporting seja glorificado como um grande clube pelos seus adeptos mas também temido como tal pelo adeptos das outras equipas. É o que pretende Bruno de Carvalho: com esforço, dedicação, devoção e glória e Jorge Jesus.

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