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Mundial 2018, as controvérsias da Rússia e Inglaterra

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Entre os sete dirigentes da FIFA detidos esta quarta feira, estão dois diretamente envolvidos na controversa escolha do país que irá organizar o Mundial de 2018.

Depois do Mundial na África do Sul, em 2009, arrancou o processo de seleção dos países candidatos à organização do mais importante campeonato de futebol em 2018 e 2022. Em dezembro de 2010 a votação deu-se por concluída: Rússia e Qatar foram os países escolhidos. A partir daqui, surgiu todo um mundo de críticas, controvérsias e acusações de corrupção. 

Tudo começou em maio de 2011, quando Lord Triesman, representante inglês da votação do mundial de 2018, afirmou que quatro membros da FIFA pediram-lhe dinheiro em troca de votos. Nicolas Leoz, Jack Warner, Ricardo Teixeira e Worawi Makudi, foram os nomes denunciados. Uma das mais incrédulas acusações de Triesman, foi a exigência de Nicolas Leoz, presidente da Confederação Sul-americana de Futebol -, de ser tornado cavaleiro de Inglaterra em troca do seu voto a favor do país para receber o Mundial 2018.  

Jack Warner - antigo vice-presidente da FIFA e ex-líder da Confederação para a América Central e do Norte e Caraíbas - foi acusado de ter pedido cerca de 35 milhões de euros para construir um centro educacional em Trindade e Tobago - com o dinheiro a passar pelas suas mãos - antes de pedir outros 708 mil euros para comprar direitos televisivos do Haiti para o Mundial. 

O brasileiro Ricardo Teixeira, nas palavras de Triesman, falou consigo de uma forma muito subtil: "Diz-me o que podes fazer por mim quando vieres ter comigo". 

Aparentemente, aceitar dinheiro em troca de votos era algo que Teixeira estava habituado a fazer havia muito tempo. De acordo com um relatório sobre a corrupção na FIFA divulgado por Hans-Joachim Eckert (juiz de ética do organismo), Teixeira e Leoz receberam subornos da Liga Indiana (ISL) entre 1992 e 2000. 

Jack Warner e Nicolas Leoz é também um dos nomes apanhados no alegado esquema de corrupção que resultou na detenção, esta quarta-feira, de sete altos responsáveis da FIFA. 

O Mundial 2018 estava a ser disputado nesta altura por Inglaterra, Rússia e uma candidatura conjunta da Bélgica e Holanda. Portugal também entrou na corrida, aliado à Espanha, mas posteriormente viu-se obrigado a retirar a candidatura por incompatibilidades com o país vizinho. 

Pouco depois de terem sido revelados os resultados da votação, o ex-presidente do FC Bayern Munich Uli Hoeness criticou a escolha do Qatar e da Rússia, alegando que o presidente da FIFA, Joseph Blatter, "perdeu o controlo" do organismo internacional e disse que para se vencer as eleições da FIFA, era necessário "passar dinheiro debaixo da mesa". 

Em novembro do ano passado, a Câmara dos Comuns divulgou um relatório onde se  afirmava que o Presidente russo, Vladimir Putin, desempenhou um importante papel na vitória do seu país, tendo contado com a ajuda de Blatter. No documento acusava-se ainda a Rússia de ter comprado o voto de Michel Platini, presidente da UEFA, ao oferecer-lhe um quadro que se acredita ter pertencido a Picasso. 

As acusações de corrupção e de falta de transparência da FIFA acalmaram com a divulgação do relatório de Hans-Joachim Eckert, que ilibava a Rússia e o Qatar de todas as acusações.