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Figo reage ao escândalo FIFA: "Caucionar este plebiscito é um erro"

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José Ventura

Antigo internacional português reage às suspeitas de corrupção que resultaram na detenção de sete altos responsáveis da FIFA. Operação policial aconteceu poucos dias depois de Figo ter abdicado da candidatura à presidência da FIFA, tendo explicado que assistiu "a episódios consecutivos, em diversos pontos do planeta, que devem envergonhar quem deseja um futebol livre".

São 63 palavras: Figo não precisa de muito para reagir ao dia em que parte da FIFA ruiu. Numa breve reação às detenções desta quarta-feira, começa com um lamento, prossegue com uma repetição do já dito, acrescenta um desabafo e conclui com um aviso.

É assim, na íntegra: "Quem gostar de futebol, quem o sentir como eu sinto, tem de marcar o dia 27 de maio de 2015 como um dos piores dias da história da FIFA. Volto a afirmar o que disse na semana passada: o que está agendado para sexta-feira em Zurique não é uma eleição. Há agora muito mais gente que concorda comigo. Caucionar este plebiscito é um erro".

E o que disse Figo na semana passada, quando abdicou da candidatura à presidência da FIFA? Também em comunicado, mas esse mais longo, não se conteve nem fez prisioneiros: disparou contra Blatter, contra a FIFA, contra os presidentes de Confederações e contra todo um processo de eleição, que considera armadilhado desde o início. 

"Vi eu presidentes de federação que num dia comparavam os líderes da FIFA ao Diabo e no outro subiam ao palco a comparar as mesmas pessoas a Jesus Cristo. Ninguém me contou. Fui eu que presenciei." 

Disse mais: falou em vergonha ("assisti a episódios consecutivos, em diversos pontos do planeta, que devem envergonhar quem deseja um futebol livre, limpo e democrático"), em abandono ("os candidatos foram impedidos de se dirigir às federações em congressos enquanto um dos candidatos discursava sempre sozinho do alto de uma tribuna"), em nepotismo ("este processo é um plebiscito de entrega do poder absoluto a um só homem [Blatter] - algo que me recuso a caucionar"), mas também em esperança ("agradeço profundamente a todos os que me apoiaram e peço que mantenham a vontade regeneradora que pode tardar, mas chegará"). 

Mas 29 de maio de 2015, que é já esta sexta-feira, pode não ser "um dos piores dias da história da FIFA", como Figo teme. A UEFA já pediu o adiamento por seis meses das eleições, porque considera que não estão reunidas as condições adequadas para proceder ao escrutínio. 

"Os acontecimentos desta quarta-feira são uma catástrofe para a FIFA e mancham a imagem do futebol", lê-se num comunicado da UEFA, onde se afirma ainda que se a corrupção "não for travada vai, em última instância, matar o futebol".

O Ministério da Justiça e a polícia da Suíça confirmaram esta quarta-feira a detenção, por acusações de corrupção, de sete altos dirigentes da FIFA, em Zurique, quando se encontravam num hotel na cidade. Mas na lista de suspeitos estarão mais oito responsáveis.