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Tudo a saltar…

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FOTO JOSE COELHO/LUSA

Com os famosos saltos de Fafe terminou a primeira edição do Rali de Portugal voltada a correr no norte do país desde a interrupção de 2001.

Para mim, o ponto alto do Rali de Portugal, mesmo nos velhos tempos, sempre foi Fafe. Claro que havia Arganil, havia Lousã, havia Carvalho de Rei mas em nenhum lugar como este se juntava tudo: vista ampla sobre a pista, sucessão de zonas espectaculares, enorme afluência de público e, a enquadrar tudo isto, belas e amplas paisagens de serra como só há no Minho.

Este ano não foi diferente. Depois de dois dias a ver o rali em bancada de ambiente VIP, com parqueamento reservado e outras mordomias, deixei para o derradeiro dia o regresso à prova genuína e popular: carro deixado longe, meia-hora a pé serra acima e um anfiteatro natural cheio de gente, de grelhadores, tendas, febras, garrafões de tinto e palavrões. Isto, meus senhores, também é o Rali!

A famosa descida do Confurco, no troço de Fafe (antes era Fafe-Lameitinha) onde a pista desce, entra 100 m no asfalto e volta a subir para terra depois de um portentoso gancho à direita, tinha gente mas um pouco menos que nos três anos do Rally Sprint de Fafe, o que não admira, pois havendo vários troços no Minho o público, tanto nacional como estrangeiro, tende a espalhar-se mais.

Exactamente por isso não se entende o excesso de zelo da organização proibindo o acesso aos penedos no topo da descida, único local donde, em total segurança, se conseguia, simultaneamente, ver o Salto do Pereira, ainda que ao longe e, lá em baixo, a entrada e saída do asfalto, Vedar a envolvente da pista, sim senhor. Pôr lá GNR e Marshalls, claro, Mas proibir o acesso a um dos melhores pontos de vista do Rali e onde fora possível estar nas três edições do Rally Sprint não lembra ao diabo…

Como tudo tem um reverso, havendo menos gente, conseguiam-se ter boas perspectivas da entrada e saída do asfalto com lindos “slides”, sobretudo desenhados por pilotos que já não estavam a lutar pelo pódio, como Ostberg (Citroen) ou Dani Sordo (Hyundai). Dos dois VW da frente já tinha percebido pela crónica na TSF do meu amigo António Catarino que nem Latvala (o merecido vencedor) nem Ogier (segundo classificado) iam arriscar no último troço e, de facto, não o fizeram, limitando-se a dar espectáculo q.b. Mais se esmerou o seu companheiro de equipa Mikkelsen com o terceiro VW Polo e último lugar do pódio.

Como os carros não vinham pela ordem de classificação, o público de um e outro lado do asfalto, foi-se entretendo com cânticos ao desafio, palmas, a fazer a onda como no estádio e, a coroar a coboiada, um exclusivo do troço de Fafe já estreado em anos anteriores; a desgarrada de duas moto-serras, uma de cada lado da pista.

Tudo a saltar, espectadores e carros, comemorando um Rali em pleno e, a avaliar pela abundância de camisolas vermelhas, o bicampeonato do Benfica.