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Para cá do Marão mandam os que andam de “avião”

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FOTO JOSE COELHO/EPA

Depois da estreia no Alto Minho o Rali andou hoje pela Aboboreira e pelo Marão. E não o fez mais devagar nem com menos luta.

Não é forçoso que sejam os troços grandes a decidir ao ralis mas é frequente isso acontecer. Era o caso do lendário troço de Arganil, feito de noite e com mais de 40 km, algo que os regulamentos actuais nunca permitiriam. Na edição deste ano do Rali de Portugal a coisa mais parecida era o troço do Fridão, em plena serra do Marão, com nada menos de 37 km. Tudo indicava que não iria embotar, como não embotou, a liderança do finlandês da VW, Latvala, mas já a recuperação do seu colega de equipa, Ogier, a partir do 4ª lugar da geral, podia sofrer um retrocesso, tanto mais que dera um toque numa pedra no troço anterior.

Mas isso não aconteceu e Ogier ultrapassou o piloto da Citroen Kris Meeke, ascendendo à 2ª posição, ainda que por poucos segundos no final do troço de Fridão.

Como não se consegue estar em dois lados ao mesmo tempo, vi a classificativa de Baião que, como me explicava Filipe Fernandes/Fifé, um dos mais antigos navegadores de ralis ainda em actividade, é o velho troço da Aboboreira com pequenas alterações.

Para lá chegar subia-se a antiga classificativa de Carvalho de Rei, agora asfaltada, oportunidade para tirar o meu chapéu aos pilotos que faziam a última curva à direita da descida, antes das eiras a mais de 150 km/h. Era, de facto, para homens de barra dura…

Lá no alto, com os dólmenes e a capelinha da Aboboreira bem à vista, uma zona muito bonita, com um encadeado de curvas, adivinhando-se muito tempo antes a chegada dos carros, dada a poeirada infernal que iam levantando nas sucessivas voltas da serra.

Claro que no meio da multidão há sempre um pândego para animar a festa. Não só leiloava copos de cerveja e máscaras de pó pelo melhor preço, como fazia uma espécie de aula global de ioga, mandando parar de respirar e fechar os olhos quando o vento soprava um nevoeiro castanho para cima