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Uma vida, um clube. Por Xavi

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Xavi estreou-se na equipa principal do Barcelona em 1998 e foi eleito um dos capitães em 2004

David Ramos/Getty

Depois de 25 anos como jogador do Barcelona, Xavi vai partir. O novo destino, aos 35 anos, é o Qatar. Para jogar e não só.

Esta é uma notícia sobre a ida de Xavi para o Qatar, mas já lá vamos. Primeiro é preciso explicar o que é Xavi. O que não é fácil. É um dos melhores médios do história do Barcelona? É. É um dos melhores médios do mundo? É. Faz fintas que nos deixam de boca aberta? Não. Faz golos daqueles que aparecem nos resumos do melhor da época? Não (bom, este ao Real Madrid em 2010...). Destaca-se por aí além quando tem a bola? Também não. 

Quer dizer, depende. Do quê?, pergunta o leitor. De quem o vê, claro. Johan Cruyff, o mentor de Pep Guardiola, explica: "O jogador mais espectacular é Messi, mas o melhor é Xavi". Guardiola, o mentor de Xavi, também explica: "Os melhores jogadores são aqueles que não perdem a bola". Como quem? Xavi, claro. "É um jogador que tem o ADN do Barcelona: alguém que gosta de bom futebol, alguém que é humilde e alguém que é leal à equipa. Desde o primeiro momento em que o vi jogar, soube que seria o cérebro do Barcelona por muitos anos."

A beleza está nos olhos de quem a vê e a beleza de Xavi está nos olhos de quem aprecia o que um lingrinhas de um 1.70m vê, pensa e faz nos meio campos alheios: "Procuro espaços. Sempre. Estou a sempre a tentar arranjar espaço". Para quê? Para ajudar os outros, claro. "Tive muita sorte em crescer no Barcelona. Ensinaram-me o valor de ser parte de uma equipa. 'Hoje dou-te a ti, amanhã dás-me a mim'. Essas qualidades são essenciais para a vida em geral".

Aos 35 anos, o capitão do Barcelona - o cérebro de uma filosofia que ficou conhecida como 'tiki taka' -, vai deixar o clube que representa desde os 11 anos para partir para o Al Sadd, no Qatar, no final da época.

A mudança pode parecer estranha, mas ganha outros contornos quando percebemos que Xavi não só vai jogar no Al Sadd, como também começar a formar-se como treinador (os seus dois irmãos, treinadores, também vão com ele). "É o momento certo. Custa muito tomar esta decisão. Temos um projeto ótimo - assinei por duas épocas, com mais uma de opção, mas também estarei ligado à academia Aspire [de jogadores jovens] para continuar com a minha formação", explicou o internacional espanhol esta quinta-feira de tarde, em conferência de imprensa.

764 jogos, 173 assistências e 85 golos depois (que se traduziram na conquista de oito campeonatos espanhóis, três Champions, seis supertaças espanholas, duas supertaças europeias, duas taças de Espanha e dois Mundiais de clubes), Xavi deixa de ser Barcelona. Mas por pouco tempo, promete. "O meu objetivo é voltar a esta casa, como treinador ou diretor desportivo, seja como for, desde que volte." E voltará, quase de certeza. Porquê? Porque vê mais à frente do que os outros. Tal e qual como dois homens que o antecederam: Cruyff e Guardiola.