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Rali de Portugal está de volta às origens

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Nas últimas cinco edições do Rali de Portugal, Sebastien Ogier só falhou a vitória em 2012. Se ganhar este ano iguala o recordista Markku Alen

Francisco Leong / AFP / Getty Images

Mesmo sem apoio do Estado, o Rali de Portugal ruma ao Norte e regressa a alguns dos seus troços de eleição, todos acima do Rio Douro. 

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Após 14 anos a rolar pelo Sul, o Rali de Portugal está de volta aos troços nortenhos para gáudio dos locais e dos galegos, aficionados inveterados do desporto automóvel. A 49ª edição da prova estará na estrada entre esta sexta-feira e domingo, tendo como cabeça de fila nas duas primeiras etapas o bicampeão do mundo Sébastien Ogier, que defende com serenidade a liderança do Mundial (33 pontos) apostado em igualar a marca ambiciosa de cinco vitórias de Markku Alen, recordista absoluto na prova organizada pelo Automóvel Club de Portugal.

A competição, marcada pelas estreias do novo  Ford Fiesta WRC e do Skoda Fábia R5, conta com o maior número de inscritos dos últimos 15 anos (96) e um itinerário novo, integralmente gizado acima do Rio Douro graças ao voluntarismo de 12 municípios. Perante a retirada do habitual patrocínio do Estado (via Turismo) de um milhão de euros ao Rali de Portugal, as Câmaras selaram um acordo de financiamento dessa ordem de grandeza para garantirem o reencontro da prova com algumas das suas provas especiais de classificação mais históricas.

A cerimónia inicial e o sinal de partida da quinta prova do Campeonato do Mundo de Ralis 2015 está marcada para as 18h desta quinta-feira, no Campo de São Mamede, junto ao Castelo de Guimarães. Os 96 carros seguem em direção ao centro da cidade berço de Portugal, com passagem de tributo em frente à estátua de D. Afonso Henriques, percorrendo de seguida alguns dos locais mais emblemáticos de Guimarães.

O público que quiser assistir à estreia da prova, o “cerimonial start” pode fazê-lo em frente ao castelo, onde na encosta irá ser recriada uma feira medieval, pretexto para promover mundialmente a quinta edição da Feira Afonsina, que terá lugar de 26 a 28 de junho.

Os doidos por ralis poderão ainda apreciar de perto pilotos e carros a partir das 14h30, no parque fechado do Campo de São Mamede, palco do célebre confronto entre D. Afonso Henriques e os aliados da mãe, Dona Teresa, onde a estrela da casa é o vimaranense Pedro Meireles, atual campeão nacional de ralis, que correrá como novo Skoda Fabia R5. Das 17h25 às 17h50 é o momento certo para os caçadores de autógrafos abordarem os seus pilotos de eleição, ao dispor dos aficionados numa das tendas do recinto.

350 quilómetros classificativos
Com um formato compacto, o rali soma uma extensão total de 1.529,43 quilómetros, dos quais 354,35 correspondem a 16 provas de classificação repartidas pelos quatro dias de competição. Os primeiros quilómetros cronometrados da prova rainha do desporto motorizado português serão disputados na pista de ralicrosse de Lousada, epicentro da única Super Especial da prova.

No segundo dia de competição, sexta-feira, os concorrentes do WRC Vodafone Rally de Portugal migram para o Alto Minho, palco da dupla passagem pelos troços de Ponte de Lima, Caminha e Viana do Castelo. O figurino competitivo repete-se no sábado, na região do Marão, com etapas classificativas em Baião, Marão e Amarante.

Para domingo, último dia de competição, estão reservados dois troços: Fafe (11,5km), a disputar por duas vezes, a segunda  correspondente ao ‘power stage’, com uma passagem intercalada pela longa classificativa de Vieira do Minho, que os organizadores da prova estimam possa vir a ter um papel relevante nas contas finais.

Apesar do arranque acontecer em Guimarães, no retorno do rali às suas origens históricas o centro nevrálgico da edição de 2015 estará estacionado em permanência na Exponor, em Matosinhos, onde o público poderá espreitar de manhã, ao meio-dia e ao fim da tarde à partida e regresso dos guerreiros no final das classificativas. 

As primeiras aceleradelas a valer acontecerão sexta-feira pela fresquinha, às 7h30, quando os candidatos a sucessores de Sébastien Ogier rumarem a Paredes para o ‘shakedown’ que abre o rali. Ao início da tarde, todos os caminhos dos WRC vão dar a Guimarães.

A encerrar a festa, domingo pelas 14h40, o acesso à cerimónia de pódio, na Exponor, é de entrada livre.

Retorno económico

Segundo as contas do Turismo do Porto e Norte de Portugal, o impacto económico da prova deverá ultrapassar a fasquia dos 100 milhões de euros, um resultado favorável para um evento que exigiu um investimento de 3,5 milhões de euros, parcialmente suportado por fundos europeus.

Melchior Moreira, líder da entidade de turismo, revela que nos pontos onde o rali tem mais classificativas “a capacidade hoteleira está esgotada”, casos de Amarante, Baião, Viana do Castelo ou Matosinhos. Em relação à Área Metropolitana do Porto, as taxas de ocupação deverão atingir os 90%.