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Festa do Benfica acaba em violência

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José Sena Goulão / Lusa

Arremesso de garrafas, pedras e outros objetos originaram intervenção policial. Apesar dos apelos de Luisão para que os adeptos serenassem os ânimos, os incidentes precipitaram o fim da festa encarnada.

O Benfica foi recebido na madrugada deste domingo para segunda por dezenas de milhares de pessoas no Marquês de Pombal, em Lisboa, mas os festejos da conquista do 34.º título nacional de futebol acabaram em confrontos entre polícia e alguns adeptos.

Segundo a Polícia de Segurança Pública (PSP), cerca da 01h30, entre as dezenas de milhares de adeptos que há uma hora festejavam o título com a equipa, houve um foco de desordem no enfiamento do Parque Eduardo VII que desencadeou a ação dos agentes, nomeadamente do corpo de intervenção, que fez dispersar grande parte das pessoas.

Os confrontos que se seguiram, com arremesso de garrafas, pedras e outros objetos contra a polícia, provocaram alguns feridos entre adeptos e agentes, ainda não quantificados pela PSP, que também fez algumas detenções e que depois das 02h00 continuava a atuar nas imediações do Marquês de Pombal.

Apesar do apelo do capitão do Benfica, o brasileiro Luisão, para que serenassem os ânimos, os incidentes precipitaram o fim da festa encarnada e os jogadores abandonaram o local de autocarro pouco depois.

A comitiva do Benfica tinha chegado cerca da meia-noite e meia à praça lisboeta, onde os primeiros adeptos despontaram perto das 20h00, logo após o empate 0-0 no terreno do Vitória de Guimarães, na 33.ª jornada da I Liga, antes de se formar uma gigante mancha encarnada.

O autocarro que transportou a equipa desde o aeroporto da Portela deixou os jogadores no túnel das Amoreiras, a partir do qual foi estendida uma passadeira vermelha, na qual, um a um, futebolistas e elementos da equipa técnica desceram até ao palco instalado junto à estátua do Marquês de Pombal, enquanto os adeptos cantavam "o campeão voltou, o campeão voltou".

A ordem numérica das camisolas deu ao guarda-redes Artur Moraes a possibilidade de ser o primeiro a acenar aos milhares de adeptos que cobriram toda a praça e parte das artérias que lhe dão acesso, agitando cachecóis e bandeiras à medida que os nomes iam sendo anunciados e os jogadores iam surgindo.

A exceção de entre os 28 jogadores chamados pela instalação sonora foi o central Luisão, capitão de equipa e único que esteve nos quatro títulos de campeão da era do presidente Luís Filipe Vieira, em 2004/05, com Giovanni Trapattoni, e 2009/10, 2013/14 e 2014/15, sob o comando de Jorge Jesus, primeiro técnico português bicampeão pelo Benfica.

"Muito obrigado família benfiquista. Esse título é vosso. Muitos falaram de colinho, mas o colinho são vocês", afirmou o jogador brasileiro, de 34 anos, dirigindo-se aos adeptos, já depois de Jesus, Vieira e restante estrutura ligada à equipa de futebol ter chegado ao palco.

"Esta é uma vitória de todos os benfiquistas. Desde o início da época que estivemos todos à procura do mesmo ideal, que era ser bicampeão nacional. Obrigado a todos e de certeza que iremos conquistar mais vitórias", afirmou Luís Filipe Vieira.

Equipados com camisolas alusivas ao 34º título, acompanhados de familiares, alguns munidos de câmaras para registar o momento, outros fazendo saltar rolhas de garrafas de champanhe, os jogadores percorreram toda a passadeira em torno da estátua e detiveram-se quando tocou o hino do Benfica, depois do qual foi lançado o fogo-de-artifício.

Esse momento coincidiu com o início dos confrontos e a festa encarnada acabou em minutos.