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O portista Francisco José Viegas escreve sobre o rival SLB. "Não é bem merecer"

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HUGO DELGADO / Lusa

Francisco José Viegas

Como imaginam, não é fácil. Não conheço nenhum adepto de futebol que mantenha, até ao fim, ou o bom feitio ou o uso da razão (geralmente, basta falar de futebol para perder ambas as coisas). Mas numa coisa temos de concordar, portistas: o Benfica teve todas as condições para ganhar o campeonato e aproveitou a maior parte delas.

Aqui estão sete razões que podem justificar uma eventual vitória do Benfica. Adaptando Groucho Marx, “estes são as minhas sete razões; se não gostarem, tenho outras”. Mas não são para aqui chamadas e algumas delas são impublicáveis, até porque o FC Porto será sempre o meu campeão, incluindo este ano. 

1. Uma equipa não se constrói numa época. O Benfica teve várias épocas para fazê-lo – e conseguiu uma homogeneidade, rotinas e geometrias difíceis de quebrar. Mesmo com algumas saídas de jogadores, este foi um ponto a favor. O FC Porto reiniciou as operações com um novo treinador e uma equipa quase totalmente renovada. Vantagem do Benfica, sobretudo porque até ao fim do campeonato, o FC Porto ainda não tem uma equipa definitiva e está prestes a perder parte da que mantém em campo. 

2. Imobilizar o adversário. O Benfica foi ganhar ao Dragão, ponto a favor. Sim, é certo que não jogou coisa que se visse; mas não foi isso que tirou o sono ao até aqui treinador do Benfica – ficou com os três pontos e deixou o FC Porto imobilizado, com uma equipa que não só não marcou um daqueles golos falhados mas também deixou entrar dois secos. Vantagem do Benfica. 

3. Irritar o adversário. O Benfica conseguiu um dos melhores resultados em casa, garantindo um nulo na Luz diante do FC Porto. Lopetegui, Lopes para os amigos, ficou irritado porque a sua (e minha) equipa jogou melhor, o que é a mais pura das verdades, mas voltou a não tirar o sono ao até aqui treinador do Benfica, que transformou o empate caseiro numa vitória avassaladora e numa vantagem injustificada e mais sólida do que merecia. 

4. Liga dos campeões para quê? O Benfica não gosta nem sabe lidar com a Champions (e, sobre a Liga Europa, tem comportamento cómico). Lopetegui, Lopes para os amigos, levou o FC Porto até aos quartos, mesmo com aquele afundanço de Munique, convencido de que tinha mesmo uma vantagem definitiva. O Benfica foi arrumado da Champions, o que lhe deu concentração e largura de plantel. Vantagem. 

5. Eficácia. O FC Porto teve melhores jogos do que o Benfica, o que é uma grande coisa para nós discutirmos entre adeptos (o primeiro contra o Bayern, por exemplo, o segundo contra o Sporting, qualquer deles contra o Benfica). O Benfica foi mais eficaz na soma e aproveitou tudo o que pôde. Mas o FC Porto teve alguns jogos piores (Guimarães, Boavista, Marítimo; contra o Belenenses neste domingo, por exemplo, até ao minuto 43:22 parecia o Cedofeita, sem desprimor). No final do jogo é que se contam as bolas perdidas. 

6. O Benfica conseguiu jogar mais de dez jogos contra dez jogadores. Tamanha vantagem só se consegue com grande trabalhinho, muita sorte e certa influência. Depois de ter inventado a “posição estratégica da bola parada”, o até aqui treinador do Benfica beneficiou de mais esta inovação. Quando o Benfica perdeu com o Rio Ave, depois de uma sequência de duplo póquer, logo se levantaram as habituais vozes críticas contra o treinador; injustiça. A culpa não foi do Benfica. A culpa foi do Rio Ave, que – contra todas as expectativas – conseguiu manter onze em campo. Da próxima vez lançaremos uma petição online para reparar a situação e permitir que o Benfica possa jogar contra onze. Mesmo jogando contra dez, o Benfica foi capaz de ganhar tantas vezes seguidas. Bravo. Foi uma vantagem. 

7. O Benfica tem mais pontos do que o FC Porto. Por mais argumentos que qualquer lampião consiga reunir em defesa da sua equipa – e alguns há de ter –, esse é imbatível. Três pontos a mais até este domingo.