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O manto protetor do Benfica é azul e tem um nome: Belenenses

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STEVEN GOVERNO / Lusa

O Porto foi a Belém em ritmo de passeio e, a cinco minutos do fim, foi surpreendido com um golo que valeu por dois: deu o empate ao Belenenses e o campeonato ao Benfica.

Fábio Faria, que passou alguns anos na formação do FC Porto, explicou ao Expresso, numa entrevista no ano passado, a aversão ao vermelho que há no clube:

"A primeira vez que fui lá treinar tinha uns calções vermelhos e disseram-me logo 'ou vens com calções de outra cor ou não treinas mais'. Começam logo desde cedo a incutir aquilo, é rijo. Houve outra vez que comprei umas chuteiras vermelhas e obrigaram-me a pintá-las de preto, disseram-me que aquela cor não era apropriada para ali."

Que os portistas não gostam do Benfica e os benfiquistas não gostam dos portistas já nós sabemos. Mas no Benfica não parece haver essa aversão à cor do rival que há no Porto - basta recordar o célebre equipamento azul que o então presidente Vale e Azevedo chamou de "azul à Benfica".

Este domingo, o Benfica foi azul. Ou melhor, o azul do Benfica foi o azul de Belém, que empatou com o Porto e ofereceu de bandeja o 34º campeonato aos benfiquistas.

Porque, apesar de Lopetegui ter dito, na antevisão do jogo, que o campeonato ainda estava longe de estar resolvido, os portistas entraram em campo quase derrotados. O Belenenses criou as primeiras oportunidades de golo e o Porto raramente acelerava o jogo para chegar à vitória.

A exceção foi, como é habitual, Jackson Martinez, que voltou a ser o abre latas necessário para chegar ao primeiro golo. Cruzamento de Alex Sandro, já em cima do intervalo, e cabeceamento do colombiano para o golo que o deixa ainda mais isolado no topo dos melhores marcadores da Liga.

Esperava-se um Porto mais incisivo na segunda parte - até porque Vitória de Guimarães e Benfica empatavam, o que queria dizer que portistas ficavam a um ponto dos rivais -, mas o que houve foi um ritmo de passeio que deixou Lopetegui desesperado no banco.

O Belenenses aproveitou a sonolência portista e marcou, a cinco minutos do fim. Um golo de Tiago Caeiro que foi festejado no Restelo e em Guimarães. 1-1 e o Benfica era campeão. Jackson ainda falhou um golo isolado em frente à baliza, nos descontos, para desespero de alguns adeptos, que entoaram cânticos pouco simpáticos à equipa. E a Lopetegui. E é o basco que, nos próximos dias, talvez vá precisar de um manto protetor. Seja lá de que cor for.