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Benfica campeão: obrigado, Caeiro, volta sempre

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MIGUEL VIDAL / Lusa

O Benfica não fez o que devia, o FC Porto não fez o que devia - e o Belenenses fez mais do que devia. Caeiro, o avançado de Belém, marcou o golo que deu o título aos encarnados

De manhãzinha já andavam tipos empoleirados em andaimes a preparar a festa no Marquês de Pombal e gente vestida de encarnado a passear pela cidade. Era dia de bola e não era um dia qualquer - era o dia em que o Benfica podia ser campeão, bicampeão, coisa que não acontecia há mais de 30 anos. Convinha preparar a festarola a preceito, jogando em antecipação. E depressa. Porque o Benfica costuma entrar rápido e em força.

O que foram os primeiros 15 minutos à Benfica? Isto: uma bola na trave, outra no poste, um chapéu falhado (de Lima) e um remate fraquinho, fraquinho (de Jonas). Zero golos. A coisa não seria fácil ou pelo menos tão fácil quanto se esperava.

José Coelho / Lusa

A partir dali o Benfica afrouxou um pouco -  calor, nervos, FC Porto? - e o Vitória de Guimarães pôs-se à cautela e só atacou pela certa. Ou quando podia. E só pôde aos 38 minutos, num remate que também não deu nada. 

Os príncipios do Benfica de J.J. estavam todos lá: velocidade à esquerda e à direita, um enxame de jogadores dentro da área sempre que atacava e velocidade a roubar a bola ao adversário. Mas faltava-lhe o resto que não lhe tinha faltado nas últimas 10 jornadas: 30 golos (só ficara em branco no 0-0 com o FC Porto). E os minutos iam andando, o FC Porto ia-se adiantando em Belém e as gentes da Luz a ver com a vida andar para trás. 

É que por mais que tentemos, o nosso subconsciente é tramado e trama-nos sempre em momentos de stress - e é aí que vamos buscar o que nos correu mal. E ao Benfica correu muito mal em dois anos consecutivos (2011/12 e 2012/13) antes de correrem muito bem (2013/14). 

MIGUEL VIDAL / Lusa

Na segunda parte, a cabeça deixou de pensar, as pernas começaram a pesar e os braços a abanar para a pedir apoio, como se quem estivesse na bancada (e lá estava João Gabriel, diretor de comunicação) pudesse entrar e fazer o golinho redentor. Que nunca aconteceu em Guimarães mas aconteceu em Belém, por Caeiro. O Benfica não fez o que devia, o FC Porto não fez o que devia - e o Belenenses fez mais do que devia. 

O Benfica não fez um jogo épico, nem bom, nem assim-assim - foi, até, desenxabido e sem graça. Mas Jesus dirá que isso é treta, que o que interessa são os números e estes são clarinhos e limpinhos: o Benfica é líder desde a 5.ª jornada e conquistou o título a uma jornada do fim. São 34 campeonatos. E o resto são peanuts ou alcagoitas -  ou cacahuetes, que é espanhol para amendoim. 

JOS\303\211 COELHO