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Paneira e os 6-3. "Nós queríamos ir ao sétimo para vingar o 7-1"

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Estávamos à conversa com Vítor Paneira (pode ler tudo no Expresso deste sábado) quando reparámos que esta quinta-feira era uma data especial para os benfiquistas como ele: há precisamente 21 anos, num 14 de maio chuvoso, o Benfica humilhou o Sporting em Alvalade com um resultado que ficou para a história.

Estás nas redes sociais?
Não, não.

É que isto das redes serve para nos lembrarmos daquilo que não reparamos. Sabes que esta quinta-feira se completam 21 anos do 6-3?
Olha, não sabia, estás a dar-me uma notícia. Foi um jogo notável, daqueles cheios de histórias. Era giro nós nos 25 anos dessa data fazermos qualquer coisa. Essa semana foi uma semana completamente atípica para um clube que dependia só de si para ser campeão: empata em casa, vai para estágio, enfim. A história dos russos [Yuran e Kulkov] suspensos, depois haver pedidos para serem reintegrados mas não serem admitidos pelo Toni e pela direção, os nossos adeptos à nossa espera no estádio... Enfim, esse jogo teve muita coisa para contar. 

Parecia tudo mal.
É giro porque são coisas que fazem com que o futebol seja uma coisa bonita.Com tanta adversidade, como é que se consegue fazer um resultado histórico perante o maior rival do Benfica? De há vinte e tal anos para cá tem sido o Porto, mas o grande rival do Benfica sempre foi o Sporting, e ganhar em casa deles por 6-3... Ui. E com a superequipa que o Sporting tinha nessa altura.

Recapitula o jogo, o que te lembras melhor.
Recordo-me que  entrámos a perder, sofremos o 1-0 logo, pelo Figo a cruzar num lance de bola parada, que ainda por cima nós sabíamos que o Sporting era forte naquilo. Depois conseguimos empatar. Depois o Sporting marcou outro golo e nós demos a volta para o 5-2, salvo erro. E depois fizemos o 6-2, e 6-3. E nós tentámos ir ao sétimo, começamos entre nós a dizer que tínhamos de marcar o sétimo, para vingarmos o 7-1. A partir de certa altura sentimos que o jogo estava partido e poderíamos conseguir. Não igualávamos o 7-1, mas era 7-3. Não deu.

Hoje em dia era possível um resultado desses?
Acho que é sempre possível. Aqui há tempos o Benfica perdeu 5-0 com o Porto. Há jogos incríveis para os quais não temos justificação, porque as equipas a este nível preparam-se ao pormenor, mas às vezes há qualquer coisa que faz com que haja um descalabro. Acontece. O Porto perdeu por seis em Munique com um Munique claramente desfalcado e ninguém o esperava depois do grande jogo que o Porto fez no Dragão. O futebol tem esta particularidade, às vezes acontecem coisas que ninguém acredita que vão acontecer, mas acontecem.

Perguntava-te isso porque hoje se calhar há mais cautela com os rivais. O Benfica foi jogar a Alvalade esta época mais retraído.
Pois, mas nós no 6-3 não fomos cautelosos. Nós fomos com uma equipa para ganhar. Se vires a nossa equipa, nós jogámos com Aílton na frente, João Pinto, Isaías, Vítor Paneira, quem era o outro... Enfim, nós jogámos com uma equipa que era claramente de ataque. Erámos jogadores que tínhamos uma cultura diferente. Hoje em dia as equipas são mais compactas também, defendem de forma diferente, são muito mais curtas, digamos assim. No nosso tempo havia muito mais espaços para as transições e agora há muito menos. Depois de termos invertido o resultado, achámos que a partir dali dificilmente perderíamos aquele jogo, pela qualidade e pela consistência que tínhamos na nossa equipa.


leia a entrevista completa a Vítor Paneira no Expresso deste sábado